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Dr. Stéfano Gonçalves Jorge
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Cerca de 1/3 dos pacientes com cirrose descompensada têm
saturação arterial de oxigênio reduzida e, algumas vezes, cianose. A
Síndrome
Hepatopulmonar é caracterizada como uma
tríade: doença hepática, dilatação vascular intrapulmonar e hipoxemia
arterial. Apesar da SHP ser uma causa infreqüente de hipoxemia em adultos e
crianças com hepatopatia (5-29%), pode resultar em hipoxemia (PaO2
< 50 mmHg) severa e debilitante, com necessidade de oxigenioterapia
contínua.
A fisiopatologia da hipóxia na SHP consiste da dilatação (e possível proliferação) do leito vascular pulmonar ao nível dos capilares
e pré-capilares, onde ocorrem as trocas gasosas. Essa desorganização vascular
resulta no desenvolvimento de unidades alveolares nos quais a ventilação é
preservada mas a perfusão é profundamente aumentada, comprometendo a
oxigenação arterial. Esse é o mecanismo mais comum na SHP leve, mas nas mais
severas o shunt arteriovenoso em vários graus está associado a
limitação à difusão de oxigênio.
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Distúrbios pulmonares complicando hepatopatia crônica |
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Hipóxia |
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Shunt
intrapulmonar |
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Dissociação ventilação-perfusão |
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Fator de transferência reduzido |
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Derrame pleural |
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Elevação do diafragma |
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Atelectasia de bases |
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Hipertensão pulmonar primária |
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Shunt
portopulmonar |
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Infiltrado radiológico pulmonar |
A vasodilatação pulmonar está associada a uma baixa
resistência vascular pulmonar, que não responde à hipóxia, ao exercício ou
quando o paciente se levanta, levando à piora da hipóxia (ortodeoxia). Esse é
outro fator que leva à incapacidade do pulmão de equilibrar ventilação e
perfusão. Várias hipóteses têm sido levantadas para explicar a
vasodilatação, a mais aceita atualmente é o acúmulo de óxido nítrico,
um vasodilatador biológico potente, derivado do endotélio e que pode estar
aumentado no cirrótico.
Anastomoses porto-pulmonares têm sido descritas, mas é
pouco provável que contribuam para a dessaturação de oxigênio, uma vez que a
veia porta tem grande conteúdo de oxigênio. Além disso, o fluxo delas é
provavelmente pequeno.
A angiografia pulmonar em pacientes cirróticos tem
demonstrado uma dilatação arterial significativa em ramos periféricos da
artéria pulmonar tanto no pulmão quanto na pleura, onde spiders podem
ser encontrados. Raramente, shunts arteriovenosos pulmonares podem ser
vistos na angiografia.
Uma redução da difusão do oxigênio é um achado
consistente, talvez devido ao espessamento das paredes dos capilares e vênulas
por uma camada de colágeno.
RECOMENDAÇÕES
Avaliação da hipoxemia
-
Quantificar o grau de hipoxemia
para determinar que pacientes se beneficiariam da
oxigenioterapia;
-
PaO2 em ar ambiente
(levar em conta
que pode piorar quando o paciente está em pé (ortodeoxia), se exercitando
e, possivelmente, dormindo;
-
Quantificar a resposta à oxigenioterapia
Angiografia pulmonar
As vantagens da realização da arteriografia pulmonar ainda
devem ser esclarecidas, em vista de que ainda não se sabe se pode indicar o
prognóstico e não está isenta de morbidade e mortalidade.
Transplante hepático
De uma perspectiva pulmonar, sugere-se considerar a SHP como
uma indicação para o transplante, em razão do péssimo prognóstico e
da possibilidade de cura. Os dados apontam que uma melhora significativa do PaO2
com 100% de oxigênio possa prever boa resposta com o transplante.
De interesse recente é o diagnóstico da SHP em hepatopatas
terminais, nos quais o transplante hepático é a única opção terapêutica
viável. Inicialmente, a hipoxemia severa (PaO2 < 50 mmHg) era uma
contra-indicação absoluta para o transplante devido aos óbitos
peri-operatórios. Ao longo do tempo, o transplante se tornou mais bem-sucedido
em hepatopatas com vários graus de SHP, tornando essa uma contra-indicação
relativa para o procedimento.
Uma revisão de literatura realizada por Krowka et al., com
81 pacientes com SHP submetidos a transplante hepático mostrou:
Mortalidade
-
13 dos 81 pacientes (16%) faleceram 3 meses após o
transplante (média de 14 dias);
-
desses, 10 tinham menos de 18 anos;
-
a causa mais freqüente foi hipoxemia refratária
apesar de ventilação mecânica e suplementação de oxigênio;
Morbidade
-
14 dos 68 sobreviventes (21%) necessitaram de
ventilação mecânica prolongada (4-77 dias) e cuidados intensivos (4-120
dias);
-
hemorragia intracerebral: AVCs são complicações bem
documentadas de malformações vasculares pulmonares, presumivelmente
associadas à passagem de êmbolos através dos vasos pulmonares dilatados;
Resolução da síndrome
Fatores prognósticos
Artigo criado em: 2001
Última revisão: 2001
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