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Investigação de Doenças Hepáticas

Dr. Stéfano Gonçalves Jorge

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INTRODUÇÃO

    A prática clínica do hepatologista conta com um "arsenal" de exames complementares para auxiliar o diagnóstico de doenças e função do fígado. Esse texto procura esclarecer alguns conceitos básicos sobre os exames mais utilizados na área e as principais dúvidas sobre o assunto. No entanto, convém ressaltar que exames, isoladamente, sem a correlação adequada com história clínica e exame físico, são pouco úteis e podem confundir mais ainda o diagnóstico.

EXAMES LABORATORIAIS

    Há um grande número de exames laboratoriais disponíveis comercialmente que têm utilidade na avaliação do paciente com suspeita de doença hepática ou na investigação da sua causa. Os exames podem ser classificados de modo didático em:

1. Testes para avaliação de lesão hepatocelular

  • Aminotransferases: aspartato aminotransferase (AST) e alanina aminotransferase (ALT)

  • Desidrogenase lática (DHL)

2. Testes para avaliação do fluxo biliar e lesão de vias biliares

3. Testes para avaliação da função de síntese do fígado

4. Testes para avaliação de complicações e estágio da cirrose

  • Classificação de Child-Pugh

  • Alfa-fetoproteína

  • Plaquetas

  • FibroTest®

  • MELD/PELD

5. Testes para investigação da etiologia (causa) da doença hepática

    Para saber mais a respeito de cada exame, sua indicação e significado, clique aqui.

EXAMES DE IMAGEM

   Exames de imagem avaliam a forma, tamanho e contornos do fígado, a presença de nódulos (benignos ou malignos), a presença de sinais que sugiram hipertensão portal (dilatação da veia porta, recanalização da veia umbelical, esplenomegalia), ascite e, em alguns casos, também permite avaliar a causa da doença hepática.

1. Ecografia (ultra-sonografia)

   É um exame que se utiliza de som de alta freqüência e a análise do eco desse som refletido pelos tecidos. Tecidos de densidades diferentes, mesmo dentro de um mesmo órgão, geram ecos diferentes, o que permite a análise de diversas estruturas de modo completamente não-invasivo e inócuo. Avanços à ecografia convencional, como a utilização do efeito doppler para a avaliação do fluxo de sangue e, mais recentemente, com a utilização de contrastes específicos, melhoraram a sensibilidade e especificidade do exame para avaliação dos vasos intra e extra-hepáticos e de lesões focais (tumores). Permite ainda o diagnóstico de cirrose e de esteatose com grande grau de segurança se realizado por médico experiente.


Hepatocarcinoma demonstrado à ecografia (cortesia do Prof. Dr. Jazon Romilson de Souza Almeida)

   Em hepatologia, a ecografia é o exame de imagem mais utilizado, pelo baixo custo, por ser absolutamente inócuo e ser capaz de esclarecer as principais dúvidas diagnósticas que indicam a necessidade de um exame de imagem. Também é o exame de escolha para o rastreamento periódico do hepatocarcinoma em portadores de cirrose.


Sonda do FibroScan® aplicado no espaço intercostal na área hepática (A) desencadeando a onda elástica de vibração com a pressão no botão (B). (
fonte)

   Atualmente, está em expansão a elastografia (FibroScan®), um método ecográfico para avaliar o grau de "rigidez" do fígado. Este método tem se mostrado reprodutível e útil para a avaliação do grau de fibrose e de hipertensão portal, podendo no futuro substituir algumas indicações de biópsia hepática e de medida do gradiente de pressão portal.

2. Tomografia computadorizada (CT)

   É um exame de raio-X muito mais sofisticado, onde o paciente fica deitado em um leito e  colocado em uma espécie de túnel, onde há um aparelho que emite raios-X de um lado e capta do outro. Este sistema pode ser fixo (na TC convencional) ou girar ao redor do leito enquanto o mesmo se desloca (TC helicoidal). Em seguida, os dados captados pelo aparelho são reconstruídos no computador de modo a formar imagens em forma de "fatias" da altura do corpo que se deseja analisar. 


Aparelho de tomografia computadorizada

   Como densidades diferentes de tecido absorvem quantidades diferentes de radiação, é possível avaliar a forma dos mesmos. Com o auxílio do contraste (por via oral ou endovenosa), é possível avaliar, entre outras coisas, o fluxo de sangue nos tecidos.

   Na hepatologia, a tomografia computadorizada geralmente é considerada como um exame complementar à ecografia, mas pode ser o exame de primeira escolha em algumas situações, como o rastreamento do hepatocarcinoma em pacientes com cirrose com redução significativa do tamanho do fígado e a presença de múltiplos nódulos de regeneração, onde a avaliação com ecografia é praticamente inútil.

3. Colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE)

   É um procedimento realizado por via endoscópica onde é introduzido um catéter pela papila duodenal (orifício de saída da bile no duodeno) e injetado um contraste, que é fotografado ou filmado por raio-X convencional.

   Apesar de ser caro e desconfortável, o procedimento tem a vantagem de permitir a realização de biópsia através de catéter especial se for encontrada alguma lesão sugestiva de colangiocarcinoma, a retirada de cálculos biliares e a instalação de prótese em casos de estreitamento das vias biliares (por colangiocarcinoma ou por colangite esclerosante primária, por exemplo).

4. Ressonância nuclear magnética (RNM)

   É um exame realizado com aparelho muito semelhante ao da tomografia computadorizada, mas com princípio físico completamente diferente. Há emissão de um campo magnético intenso (o que torna o exame contra-indicado em portadores de próteses metálicas) e de ondas de rádio, com análise direta dos átomos de acordo com a sua característica absorção de energia. Assim, a RNM é um exame muito mais complexo (e dispendioso), permitindo a reconstrução da imagem em qualquer posição e até a análise de funcionamento de órgãos.


Hemangioma hepática em RNM (seta). Fonte

   Na hepatologia, está indicado principalmente para análise de lesões focais hepáticas como complemento à ecografia ou à tomografia computadorizada. Também pode ser utilizada para avaliar a árvore biliar (colangiorressonância) de modo menos invasivo, mas sem a possibilidade de realização de procedimentos ou coleta de material, como na CPRE.

Artigo criado em: 2001
Última revisão: 10/04/07

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