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Histologia Hepática

Dr. Stéfano Gonçalves Jorge

   Chamamos de histologia o estudo dos tecidos. Apesar dos avanços tecnológicos nas últimas décadas e o surgimento de técnicas avançadas de imagem e biologia molecular, o diagnóstico e decisões pertinentes ao tratamento de doenças do fígado continua dependendo da análise do tecido hepático.

   Nos últimos anos, o enfoque da histologia mudou - antes, era concentrada no diagnóstico, agora no estadiamento da doença e monitorização do tratamento, incluindo transplante.

   A biópsia hepática é um procedimento invasivo que requer médico experiente e bem treinado na técnica em que utiliza. A maioria das biópsias é realizada em pacientes internados, mas pode também ser realizada ambulatorialmente em pacientes selecionados, com baixíssimo risco de complicações.

   A técnica mais utilizada é a percutânea (pela pele) às cegas, mas cada vez se usa mais a técnica guiada por ultra-som ou tomografia, que é particularmente útil nos casos em que o fígado é pequeno ou é necessária biópsia de uma lesão focal, como um câncer. Outras técnicas incluem a via torácica transpulmonar quando é necessária coleta de material subdiafragmática, a via transvenosa (femoral ou jugular) nos casos de coagulopatia e a via cirúrgica.

   As agulhas utilizadas podem ser de corte ou aspiração e de vários calibres. Apesar das agulhas aspirativas de fino calibre serem suficientes para histologia e citologia de tumores, quando o objetivo é a análise estrutural do tecido é necessária uma amostra maior. Mesmo assim, espécimes colhidos por agulhas representam apenas cerca de 1/50.000 do órgão, que pode ter níveis diferentes de atividade e acometimento da doença dependendo da região, levando a uma avaliação errônea. Na hepatite, a região mais superficial, abaixo da cápsula, costuma apresentar mais necrose, levando a um diagnóstico pior que o real. Na cirrose, o parênquima no interior de um nódulo pode ser normal, levando a um diagnóstico erroneamente otimista. A maioria das lesões do fígado, no entanto, é difusa e tende a ser homogênea.

   A gama limitada de reações morfológicas vistas na histologia hepática exige correlação estreita com todos os dados disponíveis de história clínica, exames laboratoriais e de imagem para melhor correlação e interpretação dos achados, que devem ser confrontados com as suspeitas do hepatologista. Apesar de nem sempre ser conclusiva, os melhores resultados da histologia hepática são observados quando o conjunto da história clínica, investigação laboratorial e de imagem, avaliação por hepatologista, técnica correta de coleta e patologista experiente estão em harmonia.

Bibliografia

  • Scheuer PJ, Leftkowitch, JH; Liver Biopsy Interpretation. Saunders, 2000

Artigo criado em: 20/06/04
Última revisão: 20/06/04

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