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Hepatite
Granulomatosa
Dr.
Stéfano Gonçalves Jorge
Há vários
modos do organismo eliminar um agente agressor. As células do nosso
sistema imunológico podem produzir substâncias que destruam esse
agente, podem absorvê-lo e digerí-lo e, em alguns casos, quando isso
não é possível, essas células começam a cercá-lo e formar um
nódulo de várias camadas de células. Esse nódulo é chamado de
granuloma. Algumas vezes, esse granuloma pode levar à morte das
células no seu interior ou ser gradualmente substituído por cálcio,
ao longo dos anos.
Granulomas
podem ocorrer em praticamente qualquer órgão. No cérebro, os
granulomas calcificados causados pelos ovos de tênias são uma das
principais causas de epilepsia em adultos no Brasil. No pulmão, a
tuberculose pode levar a grandes granulomas em sua fase ativa, a
granulomas que controlam os bacilos por anos, mas que podem se desfazer
por falhas no sistema imunológico e a doença volta a se manifestar e a
granulomas calcificados que permanecem depois da cura por toda a vida.
No fígado, os granulomas se caracterizam por células epitelióides
cercadas de linfócitos, geralmente perto de tratos portais. Necrose
caseosa e células gigantes multinucleadas podem ser encontradas.
A hepatite
granulomatosa, portanto, é apenas uma das formas de hepatite
que está relacionada a alguns agentes agressores e esse diagnóstico é
dado quando a principal alteração observada é a presença de
granulomas. A intensidade das lesões pode variar muito, desde casos
leves aonde os granulomas são poucos e só serão diagnosticados ao
acaso, como numa necrópsia de uma morte por outros motivos, até
hepatopatias graves, mas isso é raro.
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Causas
mais comuns de hepatite granulomatosa
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Bactérias
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brucelose, borreliose, micobacteria, salmonelose, sífilis
secundária, doença de Whipple
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Fungos
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actinomicose, aspergilose, blastomicose, candidíase,
coccidioidomicose, criptococose, histoplasmose, nocardiose
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Vírus
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citomegalovírus, Epstein-Barr,
HIV-1
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Parasitas
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amebíase, ascaridíase, giardíase,
toxoplasmose
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Ricketsia
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febre Q
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Drogas
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alopurinol, cefalexina, clorotiazida, clorpromazina, dapsona,
diazepam, diltiazem, isoniazida, metildopa, nitrofurantoína,
oxacilina, fenilbutazona, fenitoína, sulfasalazina,
sulfonamidas, quinidina
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Corpos estranhos
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Berílio, sílica, talco, torio
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Doenças imunes
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polimialgia reumática, cirrose biliar
primária, artrite reumatóide, sarcoidose, colite
ulcerativa, granulomatose de Wegener, doença de Crohn
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Câncer
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leucemia hairy-cell, linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin,
melanoma
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Há muitas
causas possíveis para a hepatite granulomatosa (tabela acima). A
causa mais comum é a tuberculose (10-53% dos casos) e sarcoidose (12-55% dos casos), sendo que no Brasil provavelmente a tuberculose é
de longe a mais comum (pela alta incidência da doença aqui). Na
maioria das vezes, no entanto, é difícil descobrir a causa. Em cerca
de 30 a 50% dos casos descritos, a causa permaneceu desconhecida.
Há
febre (contínua ou em picos) em 75% dos casos. Sintomas inespecíficos, como
anorexia (perda do apetite), fadiga e mal estar podem também ocorrer.
Geralmente o diagnóstico ocorre quando há uma febre de origem
indeterminada e a biópsia hepática é realizada como parte de
investigação de uma febre crônica aonde os exames mais comuns não
identificaram a causa. É necessária a coleta de mais de um fragmento
para aumentar a chance de descobrir a hepatite granulomatosa e, o que é
mais difícil ainda, o diagnóstico da causa.
Como o
diagnóstico da causa é difícil e a lista de possibilidades é muito
grande, o mais correto é orientar os exames necessários baseado na
epidemiologia e quadro clínico. Culturas de escarro (tuberculose),
sorologias (EBV, CMV) e
outros exames específicos podem levar mais facilmente ao diagnóstico
da causa do que a biópsia, se positivos.

Artigo
criado em: 22/05/05
Última revisão: 22/05/05
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