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Hepatite C
Dr.
Stéfano Gonçalves Jorge
INTRODUÇÃO
E EPIDEMIOLOGIA
Hepatite C é a inflamação do fígado causada pela infecção pelo
vírus
da hepatite C (VHC ou
HCV), transmitido através do
contato com sangue contaminado. Essa inflamação ocorre na maioria das pessoas
que adquire o vírus e, dependendo da intensidade e tempo de duração, pode
levar a cirrose e câncer
do fígado. Ao contrário dos demais vírus que causam hepatite, o vírus da
hepatite C não gera uma resposta imunológica adequada no organismo, o que faz
com que a infecção aguda seja menos sintomática, mas também com que a
maioria das pessoas que se infectam se tornem portadores de hepatite crônica,
com suas consequências a longo prazo.

Vírus da hepatite C (fonte)
Estima-se que cerca de
3% da população mundial, 170
milhões de pessoas, sejam portadores de hepatite C crônica. É
atualmente a principal causa de transplante hepático em países desenvolvidos e
responsável por 60% das hepatopatias crônicas. No Brasil,
em doadores de sangue, a incidência da hepatite C é de cerca de 1,2%, com diferenças
regionais, como mostra a tabela abaixo:
|
Prevalência da
hepatite C
|
|
Estados
Unidos |
1,4% |
|
França |
3,0% |
|
Egito
/ África do Sul |
30,0% |
|
Canadá
/ Norte da Europa |
0,3% |
|
Brasil |
1,2-2,0% |
|
- Norte
|
2,1%
|
|
- Nordeste
|
1%
|
|
- Centro-Oeste
|
1,2%
|
|
- Sudeste
|
1,4%
|
|
- Sul |
0,7% |

Prevalência mundial da hepatite C (fonte)
Apesar do altíssimo número de contaminados, alguns fatores de risco são
considerados mais importantes e todas as pessoas com eles devem ser devem ser
testadas, pelo alto risco da doença:
|
Fatores de maior
risco para hepatite C
|
|
Usuários de drogas endovenosas
|
risco 80%
|
|
Receptores de fatores de coagulação antes de 1987
|
risco 90%
|
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Receptores de transfusão sangüínea ou transplante de órgãos antes
de 1992
|
risco 6%
|
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Hemodiálise
|
risco 20%
|
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Filhos de mães positivas
|
risco 5%
|
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Parceiros de portadores do HIV
|
-
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Crianças com 12 meses de idade com mãe portadora do HCV
|
-
|
|
Profissionais da área da saúde vítimas de acidente com sangue
contaminado
|
-
|
Apesar
dos esforços em conter a epidemia atual, especialmente com a realização de
exames específicos em sangue doado, a hepatite C é uma epidemia crescente.
Estima-se que a prevalência (número total de casos) só atinja o seu pico em
2040 e, à medida que o tempo de infecção aumenta, que a proporção de novos
pacientes não tratados com cirrose dobre até 2020. Assim, medidas adicionais
de prevenção e tratamento precisam ser tomadas antes disso, ou nas próximas
décadas a epidemia de hepatite C atingirá complicações na saúde
pública a níveis insustentáveis.
SINTOMAS
Diferentemente das hepatites A e B,
a maioria das pessoas que adquirem a hepatite C desenvolvem doença crônica e
lenta, sendo que a maioria (90%) é assintomática ou apresenta sintomas muito
inespecíficos, como letargia, dores musculares e articulares, cansaço,
náuseas ou desconforto no hipocôndrio direito. Assim, o diagnóstico só
costuma ser realizado através de exames para doação de sangue, exames de
rotina ou quando sintomas de doença hepática surgem, já na fase avançada de cirrose.
Além dos sintomas relacionados diretamente à hepatite, o vírus pode
desencadear o aparecimento de outras doenças através de estimulação do
sistema imunológico:
|
Manifestações
extra-hepáticas do HCV
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Crioglobulinemia mista
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Tireoidite autoimune
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Porfiria cutânea tarda
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Líquen plano
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Glomerulonefrite membranoproliferativa
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Sialoadenite
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Poliarterite nodosa
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Úlcera de córnea
|
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Linfoma de células B
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Síndrome de sicca
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Fibrose pulmonar idiopática
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Fenômeno de Reynaud
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TRANSMISSÃO
A transmissão da hepatite C ocorre após o contato com
sangue contaminado. Apesar de relatos recentes mostrando a presença do
vírus em outras secreções (leite, saliva, urina e esperma), a quantidade do vírus
parece ser pequena demais para causar infecção e não há dados que sugiram
transmissão por essas vias. O vírus da hepatite C chega a sobreviver de 16
hoas a 4 dias em ambientes externos. Grupos de maior risco
incluem receptores de sangue, usuários de drogas endovenosas, pacientes em
hemodiálise (cerca de 15-45% são infectados nos EUA) e trabalhadores da área de saúde.
Com o surgimento de exames para detecção da hepatite C, a incidência anual
vem caindo. Isso é mais significativo em receptores de
transfusões, pois essa
era a principal via de transmissão e atualmente o risco de adquirir hepatite C
por transfusão sangüínea está entre 0,01 e 0,001%. Atualmente, o maior risco é dos
usuários
de drogas, que nos EUA tem 72-90% de prevalência de infecção.
Estima-se que após 6 a 12 meses de uso de drogas
endovenosas, 80% dos indivíduos estão infectados.
Em
trabalhadores de saúde que se acidentam com
agulhas contaminadas, há o risco de transmissão, mas ele é menor que 4% (menos que a hepatite B, mais que o HIV) e isso é responsável por menos de 1%
dos casos de infecções.
A
transmissão vertical (mãe para filho) ocorre
em 0 a 35,5% dos partos de mães infectadas, dependendo principalmente da
quantidade de vírus circulante no momento do parto e coinfecção com HIV. A
taxa de transmissão vertical em geral está entre 4,3 a 5,0%. Há aparente risco maior no parto normal
que na cesariana e o aleitamento materno parece ser seguro, mas os estudos em
ambos os casos são conflitantes. Não há até o momento nenhuma técnica para
reduzir o risco de transmissão para o bebê durante o parto. Após o parto,
deve ser realizada sorologia (anti-VHC) do bebê apenas após os 18 meses, pois
antes disso os anticorpos detectados no sangue do bebê podem ser os
provenientes do sangue da mãe, passados para o feto através da placenta. Há
também a possibilidade de coleta de sangue para pesquisa do RNA VHC (pelo PCR)
na primeira e na segunda consulta de puericultura (com o pediatra, entre um a
dois meses de vida).

O aleitamento materno não está contra-indicado para mães portadoras do VHC.
A
transmissão sexual é muito debatida. É verdadeiro que a hepatite C é muito
menos transmitida sexualmente que a hepatite B. Em
parceiros fixos de pessoas contaminadas, a prevalência de infecção é de
apenas 0,4 a 3%, sendo que nesse muitas vezes encontramos outros fatores de
risco que podem ser a causa da infecção. Por outro lado, entre pessoas sem
nenhum outro fator de risco, encontramos 2 a 12% de sexualmente promíscuos.
Atualmente, não há dados que indiquem a necessidade de uso de preservativo em
parceiros estáveis pela hepatite C.
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Modos de Transmissão da hepatite C
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Comuns
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Incomuns
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Uso de drogas endovenosas
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Cocaína intranasal
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Transfusões de sangue antes de '92
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Piercing
|
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Acidentes com agulhas
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Tatuagens
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Transmissão perinatal
|
Transmissão sexual
|
Outros fatores de risco menores são o uso de cocaína intranasal, piercing
e tatuagens. Mesmo excluídas todos os fatores de risco anteriores, a transmissão
esporádica, ou sem modo conhecido, é responsável por pelo menos 12%
dos casos.
Naturalmente, como tem os mesmos modos de transmissão, os portadores de
hepatite C têm também um risco maior de outras doenças, particularmente a hepatite
B a AIDS e outras doenças sexualmente
transmissíveis, devendo realizar exames de sangue para diagnóstico. De
particular interesse são a co-infecção hepatite B e C
e hepatite C e HIV, com evoluções muito piores e
tratamento mais difícil.
|
Fatores de
risco para o contágio da hepatite C
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Transfusão de sangue ou derivados
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|
Uso de drogas ilícitas
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|
Hemodiálise
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|
Exposição a sangue por profissionais da
área de saúde
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Receptores de órgãos ou tecidos
transplantados
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Recém-nascidos de mães portadoras
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Contatos sexuais promíscuos ou com
parceiros sabidamente portadores
|
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Exposição a sangue por material cortante
ou perfurante de uso coletivo sem esterilização adequada:
-
procedimentos médico-odontológicos
-
tatuagem
-
acupuntura
-
manicure / pedicure
-
body piercing
-
contato social ou familiar com material de uso
pessoal ( barbeadores, escovas dentais, etc )
-
"medicina" folclórica ( inclui
"cirurgias espíritas" )
-
barbeiros e cabelereiros
|
FISIOPATOLOGIA
A hepatite C é causada por um vírus tipo RNA (as informações genéticas
são codificadas em RNA - no hospedeiro, este RNA em forma de fita + é copiado
para forma de fita -, que é utilizado como "molde" para a produção
de novos vírus). Ele é muito
diferente dos vírus que causam as outras hepatites mais comuns, a A
e a B. O vírus da hepatite C é membro da família
Flaviviridae, a mesma da dengue e da febre
amarela. Há vários genótipos (variações) deste vírus, sendo 6 as
mais importantes (1 a 6), sendo que estes estão subdivididos em mais de 50
subtipos (1a, 1b, 2a, etc). Os genótipos chegam a apresentar 30 a 50% de
diferença no seu RNA. Esta divisão é importante porque cada subtipo tem
características próprias de agressividade e resposta ao tratamento. Genótipos
1 e 4 tem maior resistência ao tratamento com interferon que os 2 e 3.
Variações podem "enganar" o sistema imunológico e dificultar muito
a produção de vacinas, entre outras complicações.
A quantidade de vírus C no sangue infectado é menor que os de vírus B na hepatite
B. Também não se observa antígenos no sangue, ao contrário da hepatite
B. Suspeita-se que, como na hepatite B, o
principal mecanismo de destruição de células do fígado seja pelo sistema
imunológico do próprio hospedeiro, mas é provável que também haja
destruição pelo vírus.
Na biópsia hepática de
portadores de hepatite C, observa-se esteatose micro ou macrovesicular (50%),
dano em ductos biliares (60%) e agregados ou folículos linfóides (60%).
DIAGNÓSTICO
O principal método diagnóstico para a hepatite C continua sendo a
sorologia
para anti-HCV pelo método ELISA, sendo que a terceira geração deste exame, o
ELISA III, tem sensibilidade e especificidades superiores a 95% (com valor
preditivo positivo superior a 95%). Após a
infecção, o exame torna-se positivo entre 20 e 150 dias (média 50 dias).
Pela alta confiança do exame, o uso de sorologia por outro método (RIBA) só
deve ser utilizado em suspeitas de ELISA falso positivo (pessoas sem nenhum
fator de risco). O resultado falso positivo é mais comum em portadores de
doenças autoimunes com auto-anticorpos circulantes, além de indivíduos que
tiveram hepatite C aguda, que curaram espontaneamente mas que mantêm a
sorologia positiva por várias semanas. Por outro lado, o exame também pode ser
falso negativo em pacientes com sistema imunológico comprometido.
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Anti-HCV Elisa 3a.
geração
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Falsos-negativos
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Falsos-positivos
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Hepatite C aguda
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Alcoólatras
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Imunodepressão ( transplante, SIDA )
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Doenças autoimunes
|
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Populações de baixa prevalência
|
O segundo método de escolha é a detecção do RNA do vírus no sangue, que já
é encontrado em 7 a 21 dias após a infecção. Há vários métodos, sendo que
o PCR qualitativo é o mais sensível (detecta
até quantidades mínimas como 50 cópias/mL) e o PCR
quantitativo é menos sensível (apenas acima de 1.000 cópias/mL), mas
informa uma estimativa da quantidade do vírus circulante. Pelas definições da
Organização Mundial de Saúde, pessoas com mais de 800.000 UI/mL (cópias/mL) são consideradas como portadoras de título alto e, as com menos, portadores
de título baixo.
O
genótipo é desnecessário para o diagnóstico
da infecção, mas é extremamente importante na tomada de decisões quanto ao
tratamento. Para os genótipos 2 e 3, por exemplo, a dose da medicação e o
tempo de tratamento são menores do que os recomendados para o genótipo 1.
|
Distribuição dos
genótipos do HCV no Brasil
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Genótipo
|
Incidência
|
|
1
|
70%
|
|
2
|
2,5%
|
|
3
|
28%
|
A
elevação de transaminases não é necessária
para o diagnóstico. Até 30% dos pacientes mantém dosagem de ALT normal, mas
mesmo assim 50% apresentam à biópsia hepática alterações significativas.
Como a severidade da doença não pode ser determinada com precisão por
métodos menos agressivos, a biópsia continua sendo necessária para avaliar o
grau de inflamação e fibrose (formação de cicatrizes). O
consenso mundial é de que a biópsia é necessária em todos os pacientes antes
do início do tratamento.
|
Papel da biópsia hepática na
hepatite C
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Confirma o diagnóstico clínico |
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Avalia o grau de fibrose e inflamação |
|
Avalia a presença de outras doenças concomitantes |
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Ajuda a definir a melhor opção terapêutica |
HISTÓRIA
NATURAL
A história natural precisa da hepatite C é difícil de avaliar pela falta de
dados prospectivos, dificuldade de definir a data da transmissão e
associações com outros fatores que alteram o curso da doença, como
co-infecções e uso de álcool.
A hepatite C aguda é assintomática em 84% dos casos, o que dificulta o
diagnóstico. O tempo de incubação (entre o contato com o vírus até o
desenvolvimento da hepatite aguda) é de 15 a 60 dias (média de 45 a 55 dias), mas a pessoa já pode transmitir a doença mesmo antes disso. Os sintomas mais comuns são icterícia, fadiga, febre, náusea,
vômitos e desconforto em hipocôndrio direito, geralmente 2-12 semanas após a
exposição e dura de 2 a 12 semanas. O diagnóstico da fase aguda requer a
realização de PCR, uma vez que infecções agudas podem ser soronegativas.

O principal fator que leva à grande importância da hepatite C é a sua
alta cronicidade. Apenas 15 a 30% das pessoas infectadas pelo vírus da hepatite C
curam espontaneamente, enquanto 70 a 85% ficam com hepatite crônica.
Persistindo a viremia, a progressão do dano hepático é de um estágio de
atividade ou fibrose a cada 7-10 anos. Aproximadamente 20 a 30% dos portadores
de hepatite C crônica desenvolvem cirrose após 10 a
20 anos de infecção.
Observe que, apesar de ser uma doença que pode levar a um
grande número de cirroses e cânceres por estarmos em uma epidemia, a maioria
das pessoas que adquire a hepatite C, a maioria das pessoas infectadas não
apresentará complicações relacionadas a essa doença durante a sua vida !
Assim, uma das principais questões em estudo na hepatite C é como prever quem
desenvolverá complicações da hepatite e quem permanecerá com doença leve ou
inativa. Por enquanto, só sabemos que portadores que adquiriram a infecção
mais novos, os com elevados níveis de ALT (que indicam doença com maior
atividade) e naqueles que já tem um grau moderado de fibrose (cicatrizes) ou
progressão na fibrose em biópsias com intervalo de 3 a 5 anos têm maior
propensão a evolução para cirrose. A presença de outros fatores, como sexo
masculino, hemocromatose, consumo
de álcool, co-infecções pelo HBV ou HIV,
imunossupressão (após transplante) e, possivelmente, a esteato-hepatite
não alcoólica, aceleram a progressão da doença.
Sempre se soube que alguns indivíduos, sem outros fatores de risco aparentes,
como a co-infecção com vírus da hepatite B ou HIV ou uso de álcool, estão
mais predispostos a desenvolver cirrose do que outros, mesmo que o vírus seja
da mesma genotipagem. Recentemente, foi descrito que um conjunto de 7 genes
estaria associado a um risco maior de desenvolvimento de cirrose. A pesquisa
destes 7 genes levaria ao cálculo de um índice denominado "CRS"
(cirrhosis risk score), que poderia prever que pacientes teriam maior risco de
desenvolver cirrose e, portanto, teriam indicação de tratamento mais
agressivo. No entanto, ainda faltam estudos para validar este método.
GRUPOS
ESPECIAIS
Crianças
Crianças infectadas com hepatite C parecem ter evolução mais benigna do que
aquelas com hepatite B. Em um estudo com crianças infectadas com hepatite C
genótipo 1, 45% curaram espontaneamente. A progressão da doença também
parece ser mais lenta do que nos adultos que adquiriram a doença.
Coinfecção HCV-HIV
A coinfecção é comum. Em um estudo europeu de 3000 portadores de HIV, 33%
eram anti-HCV positivos (75% nos usuários de drogas endovenosas). A
progressão para a cirrose é muito mais rápida nesses pacientes, chegando a
25% em 15 anos em um estudo.
Coinfecção HBV-HCV
A coinfecção aumenta a velocidade do desenvolvimento de cirrose
e hepatocarcinoma.
TRATAMENTO
São consideradas indicações
do tratamento da hepatite C:
-
VHC RNA
detectável, ALT persistentemente elevada e biópsia hepática demonstrando
fibrose portal, independente da atividade inflamatória;
-
portadores de
cirrose compensada;
-
usuários de
álcool ou drogas que tenham condições de aderir ao tratamento;
-
portadores de
doença mais leve, transplantados (exceto fígado) e aqueles com
manifestações extra-hepáticas do VHC têm indicação discutível de
tratamento;
-
no caso de
pacientes com transaminases normais, não há consenso, mas o tratamento é
recomendável se houver fibrose moderada/severa;
-
portadores de
co-infecção HCV-HIV, se a infecção pelo último estiver controlada.
Interferon alfa e ribavirina
Interferons são glicoproteínas produzidas por células infectadas por vírus.
Até agora foram identificados três tipos: o alfa,
produzido por linfócitos B e monócitos, o beta,
por fibroblastos e o gama, por linfócitos T-helper
e NK. O IFN-alfa age diretamente contra o vírus e também aumenta a resposta
imune. No entanto, o tratamento apenas com o IFN-alfa apresenta apenas 10-19% de
resposta sustentada. Há dois tipos de IFN-alfa, o IFN-alfa-2a e IFN-alfa-2b,
aparentemente com eficácias semelhantes.
A ribavirina é uma análogo sintético da guanosina que tem ação direta
contra vírus RNA e DNA, por provável mecanismo de inibição da DNA polimerase
vírus-dependente. A ribavirina sozinha, no entanto, não tem qualquer efeito
sobre a hepatite C.
A combinação do interferon-alfa com a ribavirina melhora a resposta
virológica sustentada para 38-43%, com correspondente melhora na análise
histológica (biópsia) e, possivelmente, nas complicações a longo prazo da
hepatite (mas para esse último faltam estudos prospectivos a longo prazo).
Hoje, recomenda-se a terapia combinada na seguinte dosagem:
Infelizmente, os melhores resultados do tratamento são naqueles pacientes com
doença que naturalmente seria mais benigna:
-
genótipo do vírus
que não seja o 1;
-
baixa viremia (quantidade de vírus no sangue);
-
ausência de
fibrose ou cirrose ao início do tratamento.
Assim,
são considerados fatores de menor resposta ao tratamento:
-
genótipo 1;
-
alta viremia (>
800.000 UI/mL);
-
fibrose
avançada ou cirrose compensada (a descompensada contra-indica o tratamento);
-
obesidade;
-
raça negra;
-
uso
descontinuado ou redução na dose da medicação (sendo o primeiro pior que o
segundo);
-
idade avançada;
-
consumo de
bebida alcoólica
-
acúmulo de
ferro no fígado.
Mesmo na ausência de fatores benéficos ao tratamento, ele deve ser realizado,
mas recomenda-se que dure 48 semanas, ao contrário das normais 24 semanas (nos
pacientes acima, não há melhora significativa da resposta dobrando-se o tempo
de tratamento, mas nos casos mais severos sim).
|
Efeitos colaterais
do tratamento com interferon alfa e ribavirina na hepatite C |
|
Leucopenia
|
|
Neutropenia
|
|
Trombocitopenia
|
|
Anemia hemolítica
|
|
Fadiga
|
|
Depressão e outros transtornos psiquiátricos
|
|
Sintomas "gripais": febre e dores musculares
|
|
Sintomas gastrointestinais: náuseas e perda do apetite
|
|
Sintomas respiratórios: tosse e falta de ar
|
|
Dificuldade no controle de diabetes
|
|
Disfunção na tireóide: hiper ou hipotireoidismo
|
|
Sintomas dermatológicos: descamações (rash) e perda
de cabelos
|
|
Risco aumentado de defeitos de nascença em grávidas
|
As pessoas em tratamento deve ser acompanhadas freqüentemente. Exames
laboratoriais são necessários a cada 1-2 semanas durante os primeiros 2 meses
e depois a cada 4-8 semanas. Dosagens periódicas de hormônios tireoidianos
são necessários.
Indivíduos em tratamento, sejam homens ou mulheres, devem manter o uso de método
anticoncepcional efetivo durante e até 6 meses após o final do tratamento. Não é
contra-indicado o uso de anticoncepcionais orais.
A dosagem do vírus (por método de PCR - polimerase chain reaction) é
realizada classicamente antes, ao final do tratamento e 3 meses após se houve
negativação ao final do tratamento, para avaliar a presença de resposta
virológica sustentada (ausência persistente do vírus circulante no
sangue).
Há uma tendência a pesquisar o vírus mais precocemente, com 4 ou 12
semanas de tratamento, para verificar se o mesmo está surtindo efeito e, se
estiver, possivelmente reduzir o tempo previsto de tratamento. A resposta
virológica rápida, com queda de 2 logs (dois pontos na carga viral expressa
por logaritmo) entre o início e 12 semanas de tratamento, é chamada de resposta
virológica precoce.
São consideradas contra-indicações ao tratamento com interferon e ribavirina:
-
anemia (hemoglobina < 12 g/dL em mulheres e < 13 g/dL em homens);
-
leucopenia (leucócitos < 1.500 / mm3);
-
plaquetopenia (plaquetas < 100.000 / mm3);
-
hepáticas (transaminases normais; cirrose descompensada);
-
cardiovascular (coronariopatia);
-
endocrinológica (diabetes descompensado);
-
doenças autoimunes;
-
neuropsiquiátricas
(vertigens; doença psiquiátrica severa);
-
obstétrica (gestação ou incapacidade de anticoncepção).
Interferon peguilado (ou peginterferon)
Associando a molécula polietilenoglicol ao interferon, conseguiu-se produzir
uma nova modalidade de interferon com absorção e eliminação mais lentas.
Graças a isso, o interferon peguilado pode ser administrado por via subcutânea
apenas uma vez por semana e ainda manter um nível no sangue contínuo, mais
adequado que as três administrações semanais do interferon comum - o
resultado são melhores resultados e uma discreta menor incidência de efeitos
colaterais.
|
Interferon Peguilado |
Dose |
Apresentações |
Observação |
| IFN-Peg alfa-2a |
180 mcg |
180 mcg |
Mais estável, dose independe do peso |
| IFN-Peg alfa-2b |
1,5 mcg/kg |
80, 100 e 120 mcg |
Instável, deve ser diluído e
aplicado logo em seguida |
Em monoterapia (apenas o interferon alfa peguilado), a taxa de
resposta virológica sustentada é de 39%, com resultados ainda maiores com a
associação peginterferon + ribavirina:
|
Resposta ao
tratamento (%) |
|
Resposta
virológica sustentada
|
IFN
3 MU 3x/sem
|
IFN
3 MU 3x/sem + ribavirina 1,0-1,2 g/d
|
PEG
IFN 1,5 mcg/kg/sem
|
PEG
IFN 1,5 mcg/kg/sem + ribavirina 800 mg/d
|
|
Laboratório
|
Manns*
|
Laboratório
|
Manns*
|
|
Geral
|
19 |
46
|
47
|
39
|
52
|
54
|
|
Genótipo 1
|
-
|
33
|
33
|
-
|
41
|
42
|
|
Genótipos 2-3
|
-
|
73
|
79
|
-
|
75
|
82
|
|
Genótipos 4-6
|
-
|
-
|
38
|
-
|
-
|
50
|
* Manns MP et al and
the International Hepatitis Therapy Group: Peginterferon alfa-2b plus ribavirin
compared with interferon alfa-2b for initial treatment of chronic hepatitis C: a
randomized trial. Lancet 2001; 358:958

Fórmula estrutural do interferon alfa padrão (à
esquerda) e peguilado (à direita). Laboratório Roche.
Hoje, considera-se como tratamento mais eficaz a associação do peginterferon
com a ribavirina. Nos pacientes com vírus genótipos 2 e 3 , que têm resposta
muito melhor, recomenda-se o tratamento por 24 semanas (6 meses). Nos
pacientes com VHC genótipo 1, recomenda-se por 48 semanas.
Novas
perspectivas
Outras
drogas estão sendo desenvolvidas e testadas para a hepatite C, que atuam no
mecanismo de replicação do vírus, ao invés de ter atividade sobre o sistema
imune. Atualmente, a medicação mais promissora desse tipo é a chamada VX-950,
que tem mostrado melhora nas taxas de resposta virológica na associação com o
interferon e a ribavirina, em comparação com o uso das duas drogas em
conjunto, ou no seu uso isolado, em comparação com placebo. No entanto, já
há descrição de indução de mutação do vírus com o seu uso, o que torna
necessário mais estudos antes que seja utilizado clinicamente.
A
utilização crônica (prazo indeterminado) de baixas doses de interferon peguilado
em pacientes não respondedores com fibrose avançada, com o objetivo de reduzir a
progressão da doença, ainda está em estudo. Até o momento não há dados que
permitam este uso fora de protocolos de pesquisa.
Respostas ao tratamento
São consideradas
respostas positivas ao tratamento:
-
resposta
virológica rápida - PCR negativo na 4a. semana de tratamento;
-
resposta
virológica precoce - PCR negativo na 12a. semana de tratamento ( a
ausência de RVP, ou a queda na carga viral inferior a 2 logs na 12a.
semana indicam uma probabilidade de RVS inferior a 3%);
-
resposta
virológica lenta - PCR positivo na 12a. semana, negativo na 24a. semana;
-
resposta
virológica ao final do tratamento - PCR negativo ao final do tratamento;
-
resposta
virológica sustentada - PCR negativo 24 semanas após o final do
tratamento (indica probabilidade de 95% de manter PCR negativo, ALT normal e
melhora histológica por tempo indeterminado, o que alguns cnsideram como
"cura" da doença).
Manuseio dos efeitos colaterais
-
sintomas
"gripais" como hipertermia, dores musculares e articulares e prostração
geralmente são tratados com paracetamol ou dipirona; nenhum dos dois, no
entanto, é isento de efeitos colaterais - o paracetamol pode ser tóxico ao
fígado em doses excessivas e a dipirona pode ter efeitos graves (embora
raros) independentes da dose, como reações anafiláticas e anemia aplástica;
-
a hemólise
(destruição de hemácias) pela ribavirina ocorre de modo significativo em
cerca de 15% dos pacientes; se a queda na hemoglobina for superior a 5 g/dL,
pode ser necessário reduzir a dose da medicação; quedas mais severas podem
ser tratadas com eritropoetina (epoetina alfa), com melhora de cerca de 2 g/dL
em metade dos pacientes, podendo evitar a redução e/ou a suspensão da
medicação;
-
a leucopenia
(redução nos leucócitos) causada pelo interferon (especialmente pelo
peguilado) pode predispor ao surgimento de infecções, embora infecções
graves só costumem surgir se a leucopenia for severa (abaixo de 500
neutrófilos/mm3); geralmente, recomenda-se redução na dose do IFN quando a
leucopenia chegar a 750 neutrófilos/mm3; o uso de fator estimulador de
colônia de granulócitos/macrófagos (como o filgrastim, na dose de 300 mcg/dL
SC a cada 7 ou 14 dias) pode reduzir a necessidade de redução na dose do
interferon;
-
a
plaquetopenia é comum, sendo recomendada a redução na dose do interferon
se chegar a uma quantidade inferior a 50.000 plaquetas/mm3, quando há um
risco aumentado de sangramentos, que podem ser graves; alguns pacientes
apresentam quadro de plaquetopenia rápida e severa por destruição autoimune
das mesmas (púrpura trombocitopênica auto-imune), sendo necessária a
suspensão do interferon e em alguns casos imunossupressão; não há tratamento
específico para aumentar a quantidade de plaquetas.
Situações especiais
-
na hepatite
C aguda, embora tal diagnóstico seja incomum pela quase ausência de
sintomas (mas possível, especialmente se investigada logo após o contato com
sangue contaminado), o tratamento com interferon peguilado em monoterapia
pode levar a resposta virológica sustentada em mais de 80% dos pacientes; a
maioria dos especialistas recomenda aguardar de 8 a 12 semanas após o
contato e, se não houver negativação espontânea, tratar por 24 semanas;
-
ainda não há
consenso sobre o tratamento da hepatite C em crianças;
-
nos portadores
de insuficiência renal crônica ou em hemodiálise, o tratamento
é recomendado sempre que houver atividade inflamatória e fibrose,
independente do nível de transaminases; como o tratamento com interferon
induz rejeição do transplante renal e a ribavirina está contra-indicada por
levar a hemólise severa, recomenda-se o tratamento pré-transplante renal,
com interferon convencional em monoterapia, na dose de 3 MU três vezes por
semana (após as sessões de hemodiálise) durante 12 meses, independente do
genótipo.
TRANSPLANTE
HEPÁTICO
O transplante de fígado é o tratamento de escolha para a hepatite C
aguda fulminante (embora rara), crônica em fase de cirrose
avançada (com encefalopatia hepática,
ascite refratária, hemorragia digestiva de difícil
controle por varizes e/ou episódio de peritonite
bacteriana espontânea) ou na presença de hepatocarcinoma.

A principal preocupação no transplante hepático para o portador de hepatite C
é a recidiva da infecção no novo fígado. De fato, a recidiva ocorre em
virtualmente todos os transplantados, geralmente em duas semanas após a
cirurgia, com níveis rapidamente crescentes do vírus no sangue, até que em um
ano estes níveis estão 10 a 20 vezes maiores do que antes do transplante. Do
mesmo modo, a doença no fígado é mais rapidamente progressiva, com 30% dos
transplantados desenvolvendo cirrose após 5 anos, com óbito ou necessidade de
novo transplante em 10% das pessoas ao final dos 5 anos.
A estratégia de consenso para evitar essas complicações é o tratamento com
interferon peguilado associado a ribavirina em todos os paciente que desenvolvem
atividade histológica da doença e fibrose significativa. Novas medicações em
estudo, no entanto, com ação específica no vírus, poderão se mostrar mais
eficazes na prevenção da recidiva, assim como já ocorre em relação à hepatite
B.
CUIDADOS
COM A SAÚDE
Dieta
Com
a exceção do uso do álcool, que leva a piora da evolução da doença, não
há nenhuma restrição nutricional específica para portadores de hepatite C.
Situações especiais, como cirrose com ascite
ou encefalopatia hepática, ou a
presença de outra doença associada, no entanto, podem indicar restrições
dietéticas adicionais, conforme orientação do médico e do nutricionista.
A obesidade, a dislipidemia (aumento do colesterol e triglicérides) e a
resistência a insulina são fatores relacionados entre si que desencadeiam o
aparecimento da doença hepática gordurosa não
alcoólica (também chamada de esteatose hepática ou "gordura do
fígado"), em especial a sua forma mais severa, a esteato-hepatite
não alcoólica que, se associada à hepatite C, leva a uma
potencialização na inflamação e progressão mais rápida de ambas para a cirrose.
Assim, mesmo sem restrições nutricionais específicas pela hepatite C,
recomenda-se uma dieta saudável, que ajuda a manter o peso, o ânimo, melhora o
sistema imunológico e ajuda a prevenir o aparecimento de outras doenças.
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Dieta
saudável (Canadian Guidelines for Health Care Providers) |
|
Alimentos
variados contendo os quatro grupos principais (grãos, frutas e
vegetais, leite e derivados e carne
e/ou alternativas) |
|
Ingesta
adequada (não excessiva), distribuída ao longo do dia |
|
Ingesta
adequada de proteínas, para combater a infecção e permitir
regeneração do fígado |
|
Boa quantidade
de frutas e vegetais para reduzir o dano pelos radicais livres no
fígado (procure maior variação de cores) |
|
Alimentos ricos
em vitaminas A e C |
|
Abstinência
alcoólica |
|
Limitar
alimentos com excesso de gordura e açúcar |
|
Balancear a
dieta com atividade física, dentro das limitações necessárias |
Além do seu médico, procure sempre consultar um nutricionista se houver alguma
necessidade de restrição alimentar, inclusive para perda de peso.
Atividade
física
Apesar de estudo demonstrando piora na atividade da hepatite relacionada ao
trabalho físico extenuante, não há contra-indicação à atividade física
saudável (exercícios físicos regulares, aeróbicos) na hepatite C (exceto em
portadores de cirrose hepática com varizes esofágicas
de alto risco de sangramento). Apesar de não haver demonstração clara dos
benefícios em relação à história natural da doença, a atividade física
saudável está relacionada a melhora na qualidade de vida, na redução da
fraqueza crônica e da depressão e a uma melhora do sistema imunológico, podendo
melhorar portanto a evolução da doença e a resposta ao tratamento.
PREVENÇÃO
A incidência de hepatite C pôde ser reduzida pelo rastreamento adequado de
doadores de sangue nas últimas décadas. Hoje, apenas 5% dos novos casos são
adquiridos dessa forma. Hoje, a melhor forma de prevenção reside no combate ao
uso de drogas endovenosas. Protocolos de tratamento logo após infecção (contato com sangue contaminado) não apresentaram resultados favoráveis e não
são recomendados. Ainda não há perspectiva a médio prazo de uma vacina
eficiente.
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Artigo criado em:
2003
Última revisão: 02/10/07
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