|
Página principal
Objetivos
Agradecimentos
Ética médica
Médicos
Direitos autorais
Biblioteca
Dúvidas
Pesquisa
Links |
Hepatite B
Dr.
Stéfano Gonçalves Jorge
INTRODUÇÃO
E EPIDEMIOLOGIA
Mais de 50% da população mundial já foi contaminada pelo vírus da hepatite B.
Estima-se algo em torno de 2 bilhões de pessoas que já entraram em contato com
o vírus, 350 milhões de portadores crônicos e 50 milhões de novos casos a
cada ano. Em áreas com maior incidência, 8 a 25% das pessoas carregam o vírus e de
60 a 85% já foram expostas. No Brasil, 15% da população já foi contaminada e
1% é portadora crônica.
|
Incidência
da Hepatite B
|
|
|
Alta
|
Média
|
Baixa
|
|
Portadores sem sintomas (%)
|
10-20
|
3-5
|
0,1-2
|
|
Distribuição geográfica
|
Sudeste da Ásia, China, ilhas do Pacífico, África ao
sul do Sahara, Alasca (esquimós)
|
Bacia do Mediterrâneo, leste europeu, Ásia Central,
Japão, América latina, Oriente Médio
|
E.U.A, Canadá, oeste europeu, Austrália, Nova
Zelândia
|
|
Idade em que é contaminado
|
Ao parto e no início da infância
|
Início da infância
|
Adulto
|
|
Modo de infecção predominante
|
Materno-infantil, parenteral
|
parenteral, sexual
|
sexual
|
Os portadores crônicos de hepatite B apresentam maior risco de morte por
complicações relacionadas a hepatite crônica, como cirrose
e carcinoma hepatocelular (CHC), com
relato de 500 mil a 1,2 milhões de óbitos por ano.

Vírus da hepatite B
O vírus que causa a hepatite B (VHB) é um vírus DNA, transmitido por sangue (transfusões, agulhas contaminadas, relação sexual, após o parto,
instrumentos cirúrgicos ou odontológicos, etc.). Não
se adquire hepatite B através de talheres, pratos, beijo, abraço ou qualquer
outro tipo de atividade social aonde não ocorra contato com sangue. Após a infecção, o vírus concentra-se quase que totalmente nas células do
fígado, aonde seu DNA fará o hepatócito construir novos vírus.
O vírus da hepatite B é resistente, chegando a sobreviver 7
dias no ambiente externo em condições normais e com risco de, se entrar
em contato com sangue através de picada de agulha, corte ou machucados
(incluindo procedimentos de manicure com instrumentos contaminados), levar a
infecção em 5 a 40% das pessoas não vacinadas (o
risco é maior do que o observado para o vírus da hepatite
C - 3 a 10% ou o da AIDS - 0,2-0,5%).

Vírus da hepatite B e seus antígenos (fonte)
Apesar de sermos capazes de produzir anticorpos contra o vírus, eles só
funcionam quando o vírus está na corrente sangüínea. Depois que o vírus
entra nos hepatócitos, os anticorpos não conseguem destruí-lo diretamente.
Como partes do vírus são expressos (partes dele aparecem) na membrana que
recobre o hepatócito (principalmente o HBcAg), o organismo reconhece estas
partes e desencadeia uma inflamação, onde células (principalmente
linfócitos T citotóxicos) destroem os hepatócitos infectados. Está iniciada
a hepatite.
EVOLUÇÃO
Hepatite
Aguda
O resultado desta hepatite depende do equilíbrio
entre o comportamento do vírus e as defesa do hospedeiro (a
"vítima"). Se a quantidade de células infectadas é pequena e a
defesa é adequada, a hepatite B pode ser curada sozinha sem sintomas (70% dos
casos). Se a quantidade de células infectadas é grande, a reação pode levar
aos sintomas (30%).
O vírus da hepatite B pode permanecer no organismo, podendo infectar outras
pessoas, por semanas antes dos sintomas, variando de 6 semanas a 6 meses. Os
sintomas iniciais são mal estar, dores articulares e fadiga, mas depois podem
evoluir para dor local, icterícia (amarelão), náuseas e falta de apetite.
Os sintomas desaparecem em 1 a 3 meses, mas algumas pessoas podem permanecer com
fadiga mesmo depois da normalização dos exames.
Em alguns poucos casos (0,1-0,5%), a resposta do organismo é tão exagerada que
há destruição maciça dos hepatócitos (hepatite
fulminante), podendo ser fatal. Cerca de 50% dos casos de hepatite
fulminante estão relacionados à infecção com hepatite B. O
sintoma que mais sugere a hepatite fulminante é o desenvolvimento de
alterações neurológicas (sonolência, confusão mental), além de
sangramentos e dificuldade respiratória.
Hepatite
Crônica
Em cerca de 3-8% dos adultos, a defesa imunológica não consegue destruir as
células infectadas e a inflamação (hepatite) persiste. Quando a infecção
persiste por mais de 6 meses, definindo hepatite crônica, a chance de cura
espontânea é muito baixa. Os sintomas mais comuns são
falta de apetite, perda de peso e fadiga, apesar da maioria das pessoas ser
assintomática. Outras manifestações extra-hepáticas, mais raras,
incluem artralgias, artrite, poliarterite nodosa, glomerulonefrite, derrame
pleural, púrpura de Henoch-Schölein, edema angioneurótico, pericardite,
anemia aplástica, pancreatite, miocardite, pneumonia atípica, mielite
transversa e neuropatia periférica.
Dentre as pessoas com hepatite B crônica, algumas tem sistema imunológico
"tolerante" ao vírus. Nestas, a destruição de hepatócitos é quase
nula e, portanto, o risco a longo prazo de evolução da doença é baixo.
Nestes pacientes, os níveis de AST e ALT, marcadores de lesão celular, são
baixos, a quantidade de vírus circulando no sangue é pequena e a pessoa é considerada portadora sã,
o que significa que essa pessoa dificilmente sofrerá as conseqüências da
doença, mas que mesmo assim pode transmiti-la. Mesmo nessas pessoas, podem
haver períodos de atividade ("flares") da doença que, se curtos,
não costumam alterar o prognóstico.
Outras pessoas desenvolvem destruição crônica das células do fígado, com
elevação de AST e ALT e atividade histológica constantes, ou
"flares" prolongados. Estes portadores de hepatite
crônica ativa têm um risco maior de desenvolver cirrose
e câncer.
Com a destruição crônica das células, estas aos poucos vão dando lugar às
cicatrizes, até o desenvolvimento de cirrose. Até
cerca de 50% destas pessoas com cirrose vai desenvolver um câncer
de fígado (hepatocarcinoma), mas mesmo
antes da cirrose o hepatocarcinoma pode surgir. De fato, o risco
anual de desenvolvimento de hepatocarcinoma é de 0,06-0,3% em portadores
sãos, 0,5-0,8% na hepatite crônica ativa e 1,5-6,6% na cirrose. Deve-se
lembrar no entanto que o uso de
álcool e a co-infecção com hepatites A, C
ou D costumam piorar muito o curso da doença.
Hepatite
adquirida ao nascimento
No caso de crianças que entram em contato com o
vírus no parto, o sistema imunológico é incapaz de desenvolver uma boa
defesa. Isto faz com que um grande número de células se infectem e, com o
tempo, o organismo desenvolve uma certa "tolerância", gerando uma
hepatite crônica leve em cerca de 90% dos casos. O risco de hepatite crônica
já diminui para 20-50% quando há infecção em crianças entre 1-5 anos. Em adultos com déficit
de imunidade, o risco é de cerca de 50%.
Espera-se que, neste tipo de infecção, 90% dos portadores assintomáticos
ainda apresentem sinais de replicação do vírus (HBeAg positivo) aos 15 anos
de idade, uma fase chamada de "tolerância imunológica", mas que essa
taxa reduza gradativamente até apenas 10% aos 40 anos. Durante essa segunda
fase, chamada de "depuração imunológica", o sistema imunológico
tenta eliminar o vírus, levando a episódios de "flares"
(ativações) da hepatite intercalados com períodos de ausência de atividade
da doença. Durante essa fase, há a formação, portanto, de cicatrizes
(fibrose) e pode se desenvolver hepatopatia crônica ou cirrose. Nos 90% que aos
40 anos não desenvolveram cirrose e permanecem na terceira fase (de "baixa
replicação"), o prognóstico é bom. Os 10% que permanecem com atividade
da doença tem pior prognóstico, com maior risco de desenvolvimento de cirrose
e hepatocarcinoma.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da hepatite B, bem como das suas fases evolutivas, é baseado
classicamente na coleta de sorologias, conforme tabela abaixo. No entanto, deve
ser associado a marcadores de lesão de células (AST e ALT) e, mais
recentemente, pode ser utilizado o método de PCR (polimerase chain reaction) para detectar a quantidade do vírus circulante no sangue.
Compreender o significado dos exames sorológicos não é fácil e é motivo de
confusão não só entre os portadores, mas também entre os médicos que não
estão acostumados a lidar com a hepatite B. É extremamente comum recebermos
e-mails de portadores com diagnósticos de hepatite B crônica ativa quando na
verdade os exames só mostraram que foram vacinados contra a hepatite B.

De um modo muito simplificado, antígenos (Ag) são
substâncias que são capazes de desencadear uma resposta do sistema
imunológico. O vírus da hepatite B possui três antígenos principais, o
"s" (HBsAg), o "c" (HBcAg) e o "e" (HBeAg). Anticorpos
são substâncias produzidas pelo organismo para destruir os antígenos.
|
|
Aguda
|
Crônica ativa
|
Crônica inativa
|
Curada
|
Pós vacina
|
|
HBsAg
|
+
|
+
|
+
|
-
|
-
|
|
HBeAg
|
+
|
+
|
-
|
-
|
-
|
|
Anti-HBc IgG
|
-
|
+
|
+
|
+
|
-
|
|
Anti-HBc IgM
|
+
|
-
|
-
|
-
|
-
|
|
Anti-HBs IgG
|
-
|
-
|
-
|
+
|
+
|
Assim, o diagnóstico da hepatite B baseia-se nas mudanças na relação entre vírus e
hospedeiro. Geralmente divide-se a hepatite B em uma fase replicativa (multiplicação do vírus), inicial,
na fase aguda, e outra não replicativa, correspondente à cura ou fase crônica
(figura 1). No caso de infecção perinatal, ainda há uma terceira fase de
adaptação ou "tolerância imunológica" (figura 2), que pode durar
de 10 a 30 anos.

figura 1

figura 2
HBV DNA = Quantidade de vírus
circulante no sangue
Serum ALT = Marcador de lesão de
hepatócitos
HBeAg = Marcador de replicação (multiplicação) dos vírus
Anti-HBe = Marcador de imunidade
contra o vírus
Vale a pena ressaltar que parte dos vírus da hepatite B são mutantes (mutação na região pré-core ou core-promoter), aonde não há produção de
antígeno HBe (HBeAg) e mesmo uma sorologia HBeAg negativa / anti-HBe positiva está
associada a hepatite em atividade, não em resolução.
A
biópsia hepática, além de auxiliar no diagnóstico (através da pesquisa
de HBcAg), permite prever a evolução da doença. Sabemos, por exemplo, que
portadores de fibrose hepática com score F3 apresentam probabilidade de
evolução para cirrose de 17% em apenas 5 anos. E que
a presença de atividade necroinflamatória mais intensa também sugere
evolução mais rápida da doença.
VÍRUS
"SELVAGEM" OU MUTANTE
Infecções por vírus "selvagens" (que produzem HBeAg) são
diferentes de infecções pelos vírus com "mutantes" (mutação pré-core ou
core-promoter).
|
Selvagens
|
Mutantes
|
|
30-50% relatam passado de hepatite aguda; maioria assintomática
|
doença mais grave, com evolução freqüente para cirrose
e carcinoma hepatocelular
|
|
predomina no sexo masculino, na 3a. ou 4a. décadas de vida
|
predomina no sexo masculino, em idades mais avançadas; maior risco de
infecção adquirida na infância; aparecimento de cirrose
à biópsia aos 45 anos de idade
|
|
maioria apresenta lesão necroinflamatória moderada a severa (44 a
63%)
|
maioria apresenta lesão necroinflamatória severa (50%)
|
|
cirrose hepática ativa é observada em 10 a
24%; se adquirida na infância, a progressão para cirrose é rara
|
cirrose hepática ativa é observada em 29 a
38% no momento do diagnóstico
|
|
a soroconversão HBeAg para anti-HBe (em 50 a 70% dos adultos, 5 a 10
anos após o diagnóstico ou em 2 a 5% das crianças) representa a
transição para o estado de portador inativo
|
a maioria evolui com elevações intermitentes da ALT, 90%
assintomáticas; a remissão ocorre em menos de 0,5% dos pacientes por
ano
|
TRATAMENTO
Hepatite
Fulminante
Na caso de hepatite fulminante, tratamento intensivo em unidade especializada
reduz a mortalidade, que sem isso chega a 80%. Entre os procedimentos indicados
estariam redução da ingesta protéica, lactulose ou neomicina orais, controle
hidroeletrolítico e cardiorrespiratório, controle de sangramentos e, se
indicado, transplante hepático.
Hepatite
Crônica
O tratamento da hepatite B crônica visa suprimir a replicação
viral e reduzir a lesão hepática, prevenindo a evolução para cirrose
e carcinoma hepatocelular. São considerados portanto objetivos do
tratamento:
-
soroconversão de
HBeAg para anti-HBe;
-
desaparecimento do
DNA do vírus do soro;
-
normalização do
nível de ALT;
-
melhora da
histologia hepática.
Espera-se que, com efeitos sustentados, a progressão para cirrose e
hepatocarcinoma seja atrasado ou pare. Atualmente, há três tratamentos com
eficácia comprovada para a hepatite B crônica em uso no Brasil:
Para fins de tratamento, considera-se que o PCR (que faz a contagem de
vírus no sangue) seja o método mais adequado para avaliar a replicação (multiplicação) viral no sangue. Valores acima de 100.000 cópias/ml
são indicativos de replicação, enquanto que indivíduos com valores abaixo
desse são portadores inativos.
Interferon
(IFN)
Interferons são glicoproteínas produzidas por células infectadas por vírus.
Até agora foram identificados três tipos: o alfa,
produzido por linfócitos B e monócitos, o beta,
por fibroblastos e o gama, por linfócitos T-helper
e NK. O interferon-alfa-2b (IFN-alfa) age diretamente contra o vírus e também aumenta a resposta
imune (tem atividade antiviral, antiproliferativa e imunomoduladora).
O tratamento é indicado para pacientes com:
-
replicação viral
ativa (presença de HBeAg e DNA HBV > 100.000 cópias/ml) por mais de seis meses (como há
5-10% de chance de sorovonversão espontânea, os pacientes devem ser
seguidos por 6 meses);
-
elevação de ALT
acima de 1,5 vezes o limite superior da normalidade (LSN);
-
vírus HBV ativo na
biópsia;
-
cirrose compensada
(há 60% de risco de hepatite mais intensa durante a soroconversão,
podendo causar insuficiência hepática, o que impede o uso do interferon na
cirrose descompensada).
A reposta ao tratamento é melhor em pacientes com elevação de ALT maior que
3-4 vezes o limite normal, quantidade de DNA HBV menor que 200 pg/mL, doença
ativa na biópsia, infecção na vida adulta, sexo feminino, curta duração da
infecção e heterossexualidade.
A dose usual é 10 MU três vezes por semana ou 5 MU diários por via
subcutânea (como a insulina) por 4 a 8 meses, apesar de tratamentos prolongados
aumentarem os benefícios.

Resposta ao tratamento: (A) boa
resposta, (B) má resposta
A resposta ao tratamento, em meta-análise (análise de 15 pesquisas em
conjunto), considerando soroconversão do HBeAg, foi de 33% com interferon
comparada a 12% nas pessoas não tratadas.
As pessoas tratadas devem ser acompanhadas a cada 2-4 semanas com exames
laboratoriais (AST, ALT e hemograma) pelo risco de complicações (30-50%
plaquetopenia, 20-40% leucopenia e 3-5% anemia). Os efeitos colaterais mais
comuns são quadro gripal com febre, calafrios, dor muscular e de cabeça. Estes
sintomas costumam melhorar na primeira semana de tratamento. Sintomas
psiquiátricos, como depressão, são vistos em 15% das pessoas, muito raramente
com delirium ou idéias suicidas. Podem também ocorrer hipo ou hipertireoidismo
ou piora nos níveis glicêmicos em pacientes previamente diabéticos.
Redução para metade da dose é necessária em 20% e suspensão completa em 5%
dos pacientes, pelos efeitos colaterais.
Recentemente, surgiu o interferon peguilado, um interferon modificado com
novas características farmacológicas, como a de poder ser aplicado apenas uma vez por semana, mantendo
constante o seu nível no sangue. Teoricamente, isso permitiria uma maior
eficácia do tratamento. O interferon peguilado tem se mostrado mais eficaz e com
menor índice de efeitos colaterais, já sendo usado rotineiramente no
tratamento da hepatite C. No entanto, aguarda-se mais estudos para que possa ser utilizado
também na hepatite B, já que os realizados até agora não mostraram vantagem
significativa em relação ao interferon convencional no tratamento da hepatite B.
Lamivudina
Os análogos nucleosídeos bloqueiam a inibem a multiplicação do HBV
bloqueando a ação da enzima chamada transcriptase reversa. Infelizmente,
mutações nessa enzima já foram identificados em vírus da hepatite B,
prejudicando a eficácia desse tratamento.
A lamivudina é o análogo nucleosídeo mais
utilizado para a hepatite B crônica. A princípio, todos os pacientes com
hepatite crônica B, com sinais de replicação viral e com sinais de atividade
necroinflamatória (elevação de ALT ou achados histológicos) são
candidatos ao tratamento. Pacientes imunossuprimidos, como os em quimioterapia,
podem reativar até mesmo uma hepatite em remissão, devendo ser tratados.
No Brasil, a lamivudina pode ser fornecida pela Secretaria de Saúde para
aqueles que apresentarem todos os seguintes critérios:
-
idade superior a 2
anos;
-
HBsAg positivo no
soro por mais de 6 meses;
-
HBeAg positivo ou
HBeAg negativo com carga viral do HBV superior a 30.000 cópias/ml;
-
ALT > 2x LSN em
pelo menos duas determinações com intervalos superiores a trinta dias nos
últimos 6 meses;
-
biópsia hepática
com atividade necroinflamatória moderada a intensa e/ou fibrose moderada a
intensa (> A2 e/ou > F2 pelas classificações Metavir / SBH).
Não devem receber lamivudina:
-
nas doses
recomendadas para hepatite B, portadores de HIV pela indução de
resistência;
-
hipersensibilidade
a qualquer um dos componentes da fórmula;
-
mulheres férteis
sem controle anticonceptivo adequado;
-
gestantes (exceto
em casos de grande necessidade);
-
os que não
concordarem em consentir com os riscos do tratamento.
A dose mais utilizada é
de 100 mg por via oral uma vez ao dia por 1 ano ou até 2 meses após perda de
HBeAg ou soroconversão para anti-HBe por 2 meses. Destes, 80% mantém resposta
sustentada por mais de 2 anos. Mas não há consenso em relação ao período de
tratamento. Há dados sugerindo o uso por tempo indeterminado.

Resposta ao tratamento com
lamivudina
A lamivudina é praticamente isenta de efeitos colaterais (os mais importantes,
embora incomuns, são a acidose lática e a pancreatite). Pacientes que
respondem mal ao IFN costumam responder à lamivudina. É também seguro em
pacientes portadores de cirrose descompensada. No entanto, o surgimento de
resistência causada por mutação do vírus (por uma mutação no locus YMDD
do gene P) chega a 15-46% ao final de 1 ano,
50-67% em 3 e 75% em 4 anos. Mesmo que surja a resistência (observada pelo
aumento na carga viral), se não houver elevação de ALT ou piora
histológica, a lamivudina pode ser mantida. No entanto, se houver sinais de
piora da doença, há a possibilidade de substituir a medicação por outro
análogo nucleosídeo, como o adefovir dipivoxil.
Há a possibilidade de associação do interferon com a lamivudina. Os dados do tratamento combinado ainda são limitados, mas sugerem melhor
resposta. No entanto, até dados mais concretos, não é recomendado, a não ser em protocolos de pesquisa.
Adefovir
dipivoxil
O adefovir é comprovadamente eficaz no tratamento das cepas selvagens e
mutantes do HBV, além de induzir muito menos resistência viral do que a
lamivudina. Também tem ação contra os vírus Epstein-Barr, citomegalovírus e
herpes vírus. Em 2 anos, a resistência do VHB ao adefovir é de 2%, em comparação aos
40% da lamivudina. É utilizado por via oral, sendo recomendada uma dose de 10
mg por dia para adultos (doses superiores a 30 mg ao dia são nefrotóxicas) . Assim como a lamivudina, a duração do tratamento é
controversa. Em infecções por HBV selvagem, é possível a utilização do
tratamento até 6 meses após a soroconversão HBeAg para anti-HBe, mas no caso
de vírus mutante o tratamento tem duração indeterminada. Os efeitos
colaterais são incomuns, mas há o risco de lesão nos rins (nefrotoxicidade),
especialmente em pacientes com cirrose descompensada (onde não é indicado) e não há dados
sobre a segurança do medicamento em gestantes ou na amamentação.
Outros
medicamentos
Outros medicamentos em fase de estudo são o entecavir, a telbivudina, a
valtorcitabina, a elvucitabina, a emitricitabina, a clevudina, o tenofovir, o
famciclovir, o ganciclovir, o MCC-478, o amdoxovir, o remofovir e o thymalfasin.
Alguns são promissores, mas ainda há muito o que se avaliar antes que saibamos
qual as vantagens e desvantagens de cada um deles e quais serão utilizados para
o tratamento da hepatite B.
Algoritmos
para tratamento da hepatite B

|
Terapia
|
Categoria
|
Recomendações
|
|
Interferon
|
ALT normal
|
Nenhum tratamento. Observar.
|
|
ALT elevado (> 2x normal)
|
HBeAg positivo
|
IFN-alfa 5 MU diário ou 10 MU 3
vezes/semana 16 semanas
|
|
HBeAg negativo
|
IFN-alfa 5 MU diário ou 10 MU 3
vezes/semana 12 meses
|
|
Lamivudina
|
ALT normal
|
Nenhum tratamento. Observar.
|
|
ALT elevado (> 2x normal)
|
HBeAg positivo
|
Lamivudina 100 mg diário 1 ano* ou até
desaparecimento do HBeAg
|
|
HBeAg negativo
|
Lamivudina 100 mg diário > 1 ano**
|
|
Cirrose
|
Lamivudina 100 mg diário***
|
|
Interferon + Lamivudina
|
Não há vantagem comprovada em relação
à monoterapia
|
|
Interferon peguilado
|
Em estudo
|
Lok ASF. Practice Guidelines:
Chronic hepatitis B. Hepatology 2001;34:1225-1241
* para adultos com função renal
normal e sem HIV
** duração ótima do tratamento
ainda não foi bem estabelecida
*** se HBV DNA for negativo e
cirrose compensada, observar; se descompensada, considerar transplante
ACOMPANHAMENTO
Fase
aguda
Na fase aguda, recomenda-se, além da avaliação clínica, a coleta de exames
para avaliar lesão hepatocítica (transaminases) e função hepatocítica (eletroforese de proteínas, tempo/atividade de protrombina e dosagem de fator V) a cada 15 a 30 dias. Quando houver evidências laboratoriais de que a lesão
hepatocítica está diminuindo, os exames de função tornam-se dispensáveis,
devendo ser solicitados apenas se houver suspeita clínica de insuficiência
hepática. A soroconversão rápida (em menos de 3 meses) de HBeAg para
anti-HBe indica que provavelmente haverá resolução espontânea da hepatite.
Mas recomenda-se o acompanhamento até a soroconversão HBsAg para anti-HBs, que
pode demorar 6 meses.
Hepatite
crônica HBeAg positiva
Se carga viral baixa (PCR < 100.000 cópias / ml):
Se carga viral alta (PCR > 100.000 cópias / ml):
Hepatite
crônica anti-HBe positiva
Ao contrário da soroconversão da fase aguda, na fase crônica o aparecimento
do anti-HBe pode não ser um bom sinal. Ele pode ocorrer em fases mais
avançadas da doença, pode significar a presença de vírus mutante (que é
mais agressivo e responde pior ao tratamento) ou uma doença com fase de
melhora e piora (reativações ou "flares"), que só serão
detectadas com um acompanhamento rigoroso.
Se carga viral baixa (PCR < 10.000 cópias / ml):
Se carga viral alta (PCR > 10.000 cópias / ml):
Se
não for indicado nenhum tratamento
Recomenda-se a realização semestral dos seguintes exames:
-
transaminases (AST
e ALT)
-
hemograma
-
marcadores virais (HBeAg e anti-HBe)
-
quantificação do
DNA-HBV (PCR)
-
exame de imagem (ultra-som)
-
alfa-fetoproteína
Pacientes
em imunossupressão
Em pacientes com hepatite B crônica sem atividade ( e mesmo naqueles com
cicatriz sorológica), condições que deprimem de modo significativo o sistema
imunológico, como quimioterapia e uso de imunossupressores para doenças
autoimunes e transplante de órgãos, podem levar a reativação da hepatite,
que pode ser intensa e grave. Por esse motivo, recomenda-se que todo paciente
anti-HBc e/ou HBsAg positivo que seja submetido a este tipo de tratamento seja
tratado profilaticamente (iniciando 1 semana antes e mantendo até 1 ano após o
tratamento) com medicação específica, sendo que a primeira escolha é a
lamivudina (100 mg/d em adultos e 3 mg/kg/dia em crianças).
CUIDADOS
COM A SAÚDE
Dieta
Com
a exceção do uso do álcool, que leva a piora da evolução da doença, não há
nenhuma restrição nutricional específica para portadores de hepatite B. Situações
especiais, como cirrose com ascite
ou encefalopatia hepática, ou a presença
de outra doença associada, no entanto, podem indicar restrições dietéticas
adicionais, conforme orientação do médico e do nutricionista.
A obesidade, a dislipidemia (aumento do colesterol e triglicérides) e a resistência
à insulina são fatores relacionados entre si que desencadeiam o aparecimento
da doença hepática gordurosa não alcoólica (também
chamada de esteatose hepática ou "gordura do fígado"), em especial a
sua forma mais severa, a esteato-hepatite não alcoólica
que, se associada à hepatite B, possivelmente levaria a uma potencialização
na inflamação e progressão mais rápida de ambas para a cirrose.
Assim, mesmo sem restrições nutricionais específicas pela hepatite B,
recomenda-se uma dieta saudável, que ajuda a manter o peso, o ânimo, melhora o
sistema imunológico e ajuda a prevenir o aparecimento de outras doenças.
|
Dieta
saudável (Canadian Guidelines for Health Care Providers) |
|
Alimentos
variados contendo os quatro grupos principais (grãos, frutas e
vegetais, leite e derivados e carne
e/ou alternativas) |
|
Ingesta
adequada (não excessiva), distribuída ao longo do dia |
|
Ingesta
adequada de proteínas, para combater a infecção e permitir regeneração
do fígado |
|
Boa quantidade
de frutas e vegetais para reduzir o dano pelos radicais livres no fígado
(procure maior variação de cores) |
|
Alimentos ricos
em vitaminas A e C |
|
Abstinência
alcoólica |
|
Limitar
alimentos com excesso de gordura e açúcar |
|
Balancear a
dieta com atividade física, dentro das limitações necessárias |
Além do seu médico, procure sempre consultar um nutricionista se houver alguma
necessidade de restrição alimentar, inclusive para perda de peso.
Atividade
física
Apesar de estudo demonstrando piora na atividade da hepatite relacionada ao
trabalho físico extenuante, não há contra-indicação à atividade física
saudável (exercícios físicos regulares, aeróbicos) na hepatite B (exceto em
portadores de cirrose hepática com varizes esofágicas
de alto risco de sangramento). Apesar de não haver demonstração clara dos
benefícios em relação à história natural da doença, a atividade física
saudável está relacionada a melhora na qualidade de vida, na redução da
fraqueza crônica e da depressão e a uma melhora do sistema imunológico, podendo
melhorar portanto a evolução da doença e a resposta ao tratamento.
PREVENÇÃO
Vacina
A vacina para a hepatite B é altamente efetiva e praticamente isenta de
complicações (pode causar apenas reações no local da injeção). Como a hepatite B é uma das principais causas de câncer de
fígado no mundo, a vacinação não previne apenas a hepatite como também o
câncer. Mais de 80 países já adotaram a vacinação de toda a população
como estratégia de combate à doença. A vacina consiste de fragmentos do
antígeno da hepatite B HBsAg, suficiente para produzir anticorpos mas incapaz
de transmitir doença.
A dose da vacina é de três injeções intramusculares, sendo a
segunda após 1-2 meses e a terceira 5 meses após a primeira. Neste esquema,
95% produzirão os anticorpos e, nestes, a proteção contra a hepatite é
próxima de 100%. A imunidade costuma durar pelo menos 10 anos, mas pode
persistir por toda a vida, podendo ser avaliada por exame de sangue.
|
Doses recomendadas
das vacinas contra hepatite B
|
|
Indicação
|
Engerix (GSK)
|
Dosagem
|
Recombivax (Merck)
|
Dosagem
|
|
Recém-nascidos
|
Pediátrica
|
0,5 ml / 10 mg
|
Pediátrica
|
0,5 ml / 5 mg
|
|
Crianças e adolescentes
|
Pediátrica
|
0,5 ml / 10 mg
|
Pediátrica
|
0,5 ml / 5 mg
|
|
> 20 anos
|
Adulta
|
1,0 ml / 20 mg
|
Adulta
|
1,0 ml / 10 mg
|
|
Em diálise ou imunocomprometidos
|
Adulta
|
2,0 ml / 40 mg
|
Adulta
|
4,0 ml / 40 mg
|
A vacina é indicada em todas as crianças e adolescentes até 18 anos. Entre
adultos, deve ser utilizada em pessoas de alto risco (trabalhadores da área da
saúde, homossexuais, usuários de drogas endovenosas e outros). A vacina está
disponível gratuitamente na rede pública de saúde. Gravidez, amamentação e
uso de antibióticos não contra-indicam a vacinação.
Não são recomendadas "doses de reforço" para a vacina contra a
hepatite B, pois mesmo que o nível de anticorpos desapareça com o tempo, há
memória imunológica duradoura e rápida produção de anticorpos quando há
contato com o vírus. Por esse motivo, não recomenda-se a realização de
sorologia após a vacinação, a não ser em casos especiais (recém nascidos
de mãe com hepatite B, imunodeficientes, nefropatas em diálise, parceiros
sexuais de portadores e profissionais da saúde com contato com sangue
contaminado). Nesses casos, se a sorologia demonstrou ausência de resposta à
vacinação (sem títulos protetores de anti-HBs), é possível a realização
de uma segunda série, com eficácia de cerca de 50%.
As reações adversas mais comuns são leves, com dor (3%) e enduração (quase 10%) locais ou febre (0,2 a 1,0%), aparecendo no primeiro dia após a
vacinação. Reação grave, anafilática, ocorre apenas em 1 a cada 600.000
casos no Brasil, de 30 minutos até 2 horas após a aplicação.
Imunoglobulina
Em pessoas não vacinadas que tenham contato com sangue contaminado, é indicado
o início imediato da vacinação, além de receber a imunoglobulina para
hepatite B (0,06 mL/kg). O mesmo deve ser realizado em recém nascidos de mãe
portadora de hepatite B.
HEPATITE
B E TRANSPLANTE HEPÁTICO
O transplante de fígado é o tratamento de escolha para a hepatite B
aguda fulminante, crônica em fase de cirrose
avançada ou na presença de hepatocarcinoma.
Há duas décadas, o transplante hepático no portador de hepatite B tinha
resultados muito ruins, em parte por resultados limitados do procedimento em si
e em parte pelo alto índice de recidiva (retorno) da hepatite B no fígado
transplantado, com evolução mais rápida da doença e risco de hepatite
fulminante.
Mas melhoras na técnica operatória, em conjunto com novos medicamentos que
reduzem a recidiva da hepatite e/ou melhoram a sua evolução têm demonstrado
uma dramática melhora da expectativa após o transplante. Recomenda-se, logo
após o transplante, a utilização de imunoglobulina contra a hepatite B
e análogo nucleosídeo, preferencialmente a lamivudina
(ou o adefovir dipivoxil se houver sinais no
pré-transplante de resistência à lamivudina).
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
-
Fox RK, Wright TL, Viral Hepatitis in Current Diagnosis & Treatment in
Gastroenterology
-
Liaw, YF, Tsai, SL, Sheen, IS, et al. Clinical and virological
course of chronic hepatitis B virus infection with hepatitis C and D virus
markers. Am J Gastroenterol 1998; 93:354.
-
Wright, TL, Mamish, D, Combs, C, et al. Hepatitis B virus and
apparent fulminant non-A, non-B hepatitis. Lancet 1992; 339:952.
-
Stevens, CE, Beasley, RP, Tsui, J, et al. Vertical transmission of hepatitis B
antigen in Taiwan. N Engl J Med 1975; 292:771.
-
Beasley, RP, Hwang, LY, Lin, CC, et al. Incidence of hepatitis B virus
infections in preschool children in Taiwan. J Infect Dis 1982; 146:198.
-
Coursaget, P, Yvonnet, B, Chotard, J, et al. Age- and sex-related study of
hepatitis B virus chronic carrier state in infants from an endemic area
(Senegal). J Med Virol 1987; 22:1.
-
Tassopoulos, NC, Papaevangelou, GJ, Sjogren, MH, et al. Natural history of
acute hepatitis B surface antigen-positive hepatitis in Greek adults.
Gastroenterology 1987; 92:1844.
-
Hoofnagle, JH, Dusheiko, GM, Seeff, LB, et al. Seroconversion from hepatitis
B e antigen to antibody in chronic type B hepatitis. Ann Intern Med 1981;
94:744.
-
Realdi, G, Alberti, A, Rugge, M, et al. Seroconversion from hepatitis B e
antigen to anti-HBe in chronic hepatitis B virus infection. Gastroenterology
1980; 79:195.
-
Lok, AS. Natural history and control of perinatally acquired hepatitis B
virus infection. Dig Dis 1992; 10:46.
-
Chang, MH, Hwang, LY, Hsu, HC, et al. Prospective study of asymptomatic HBsAg
carrier children infected in the perinatal period: Clinical and liver histologic
studies. Hepatology 1988; 8:374.
-
Lok, ASF, Lai, CL. A longitudinal follow-up of asymptomatic hepatitis B
surface antigen-positive Chinese children. Hepatology 1988; 5:1130.
-
Hsu, HY, Chang, MH, Hsieh, KH, et al. Cellular immune response to HBcAg in
mother-to-infant transmission of hepatitis B virus. Hepatology 1992; 15:770.
-
Milich, DR, Jones, JE, Hughes, JL, et al. Is a function of the secreted
hepatitis B e antigen to induce immunologic tolerance in utero? Proc Natl Acad
Sci U S A 1990; 87:6599.
-
Liaw, YF, Chu, CM, Lin, DY, et al. Age-specific prevalence and significance
of hepatitis B e antigen and antibody in chronic hepatitis B virus infection in
Taiwan: A comparison among asymptomatic carriers, chronic hepatitis, liver
cirrhosis and hepatocellular carcinoma. J Med Virol 1984; 13:385.
-
Lok, AS, Lai, CL, Wu, PC, et al. Spontaneous hepatitis B e antigen to
antibody seroconversion and reversion in Chinese patients with chronic hepatitis
B virus infection. Gastroenterology 1987; 92:1839.
-
Lok, AS.
Clinical Manifestations and Natural History of Hepatitis B. UpToDate 2000
-
Laskus, T, Radkowski, M, Lupa, E, et al. Prevalence of markers of hepatitis
viruses in out-patient alcoholics. J Hepatol 1992; 15:174.
-
Mills, PR, Pennington, TH, Kay, P, et al. Hepatitis Bs antibody in alcoholic
cirrhosis. J Clin Pathol 1979; 32:778.
-
Brechot, C, Nalpas, B, Courouce, AM, et al. Evidence that hepatitis B virus
has a role in liver-cell carcinoma in alcoholic liver disease. N Engl J Med
1982; 306:1384.
-
Nalpas, B, Berthelot, P, Thiers, V, et al. Hepatitis B virus multiplication
in the absence of usual serological markers. A study of 146 chronic alcoholics.
J Hepatol 1985; 1:89.
-
Nakanuma, Y, Ohta, G. Morphology of cirrhosis and occurrence of
hepatocellular carcinoma in alcoholics with and without HBsAg and in
non-alcoholic HBsAg patients. A comparative study. Liver 1983; 3:231.
-
Ohnishi, K, Iida, S, Iwama, S, et al. The effect of chronic habitual alcohol
intake on the development of liver cirrhosis and hepatocellular carcinoma:
Relation to hepatitis B surface antigen carriage. antigen carriage. Cancer 1982;
49:672.
-
Donato, F, Tagger, A, Chiesa, R, et al. Hepatitis B and C virus infection,
alcohol drinking, and hepatocellular carcinoma: A case-control study in Italy.
Hepatology 1997; 26:579.
-
Mimms, LT, Moslet, JW, Hollinger, FB, et al. Effect of concurrent acute
infection with hepatitis C virus on acute hepatitis B virus infection. BMJ 1993;
307:1095.
-
Feray, C, Gigou, M, Samuel, D, et al. Hepatitis C virus RNA and hepatitis B
virus DNA in serum and liver of patients with fulminant hepatitis.
Gastroenterology 1993; 104:549.
-
Liaw, YF. Role of hepatitis C virus in dual and triple hepatitis virus
infection. Hepatology 1995; 22:1101.
-
Liaw, YF, Tsai, SL, Chang, JJ, et al. Displacement of hepatitis B virus by
hepatitis C virus as the cause of continuing chronic hepatitis. Gastroenterology
1994; 106:1048.
-
Pontisso, P, Ruvoletto, MG, Fattovich, G, et al. Clinical and virological
profiles in patients with multiple hepatitis virus infection. Gastroenterology
1993; 105:1529.
-
Sheen, IS, Liaw, YF, Lin, DY, Chu, CM. Role of hepatitis C and delta viruses
in the termination of chronic hepatitis B surface antigen carrier state: A
multivariate analysis in a longitudinal follow-up study. J Infect Dis 1994;
17:358.
-
Fong, TL, Di Bisceglie, AM, Waggoner, JG, et al. The significance of antibody
to hepatitis C virus in patients with chronic hepatitis B. Hepatology 1991;
14:64.
-
Benvegnu, L, Fattovich, G, Noventa, F, et al. Concurrent hepatitis B and C
virus infection and risk of hepatocellular carcinoma in cirrhosis. A prospective
study. Cancer 1994; 74:2442.
-
Yu, MW, You, SL, Chang, AS, et al. Association between hepatitis C virus
antibodies and hepatocellular carcinoma in Taiwan. C virus antibodies and
hepatocellular carcinoma in Taiwan. Cancer Res 1991; 51:5621.
-
Smedile, A, Farci, P, Verme, G, et al. Influence of delta infection on
severity of hepatitis B. Lancet 1982; 2:945.
-
Pastore, G, Monno, L, Santantonio, T, et al. Hepatitis B virus clearance from
serum and the liver after acute hepatitis delta virus superinfection in chronic
HBsAg carriers. J Med Virol 1990; 31:284.
-
Fattovich, G, Boscaro, S, Novena, F, et al. Influence of hepatitis delta
virus infection on progression to cirrhosis in chronic hepatitis B type B. J
Infect Dis 1987; 155:931.
-
Sagnelli, E, Piccinino, F, Pasquale, F, et al. Delta agent infection: An
unfavourable event in HBsAg positive chronic hepatitis. Liver 1984; 4:170.
-
Fattovich, G, Giustina, G, Christensen, E, et al. Influence of hepatitis
delta virus infection on morbidity and mortality in compensated cirrhosis type
B. Gut 2000; 46:420.
-
Jacobson, IM, Dienstag, JL, Werner, BG, et al. Epidemiology and clinical
impact of hepatitis D virus (delta) infection. Hepatology 1985; 5:188.
-
Centers for Disease Control and Prevention. Prevention of hepatitis A through
active or passive immunization: Recommendations of the Advisory Committee on
Immunization Practices (ACIP). MMWR Morb Mortal Wkly Rep 1996; 45:1.
-
Vento, S, Garofano, T, Renzini, C, et al. Fulminant hepatitis associated with
hepatitis A virus superinfection in patients with chronic hepatitis C. N Engl J
Med 1998; 338:286
-
Raj, V. Treatment of hepatitis B.Clinical Cornerstone 3(6):24-36, 2001. ©
2001 Excerpta Medica, Inc.
-
Fox, RK, Wright, T. Viral hepatitis. Current
Diagnosis & Treatment in Gastroenterology, Mc Graw Hill, 2003
-
Lok
ASF. Practice Guidelines: Chronic hepatitis B. Hepatology 2001;34:1225-1241
-
Marcellin P, Chang T-T, Lim S-G, et al. Adefovir dipivoxil (ADV)
10 mg for the treatment of patients with HBEAG + chronic hepatitis B: Continued
efficacy beyond 48 weeks. Hepatology. 2002;36:A-373
-
Goodman Z, Marcellin P, Chang T-T, et al. 48 weeks of adefovir
dipivoxil (ADV) results in improvement in fibrosis and decreased progression of
fibrosis in a double-blind, randomized, placebo-controlled study for the
treatment of patients with HBEAG + chronic hepatitis B. Hepatology.
2002;36:A-373
-
Curso monotemático em hepatites virais da Sociedade Brasileira
de Hepatologia
-
CDC
viral hepatitis B FAQ (link)
-
WGO Diretriz Prática:
Acidentes com Agulhas e Exposição Acidental a Sangue. (link)
-
D. Mutimer Review Article:
Hepatitis B and Liver Transplantation Aliment Pharmacol Ther.
23(8):1031-1041, 2006
-
Kim WR, Poterucha JJ, Kremers WK,
Ishitani MB, Dickson ER. Outcome of liver transplantation for hepatitis B in
the United States. Liver Transpl 10: 968–94, 2004
-
Chu CM, Liaw YF Chronic Hepatitis
B Virus Infection Acquired in Childhood: Special Emphasis on Prognostic and
Therapeutic Implication of Delayed HBeAg Seroconversion. J Viral Hepat.
14(3):147-152, 2007
-
Park BK, Park YN, Ahn SH et al.
Long-term Outcome of Chronic Hepatitis B Based on Histological Grade and
Stage. J Gastroenterol Hepatol. 22(3):383-388, 2007
-
Redd JT, Baumbach J, Kohn, W et
al. Patient-to-Patient Transmission of Hepatitis B Virus Associated with
Oral Surgery. J Infect Dis 195:1245-1247,1311-1314, 2007 (link)
-
Foont JA, Schiff ER. Avoid the
Tragedy of Hepatitis B Reactivation in Immunosuppressed Patients. Nat
Clin Pract Gastroenterol Hepatol. 4(3):128-129, 2007

Artigo criado em:
2003
Última revisão: 28/10/07
[ Home ] [ Acima ] |

|