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Hiperbilirrubinemia
Síndromes
de Gilbert
e Crigler-Najjar
Dr.
Stéfano Gonçalves Jorge
BILIRRUBINA
E HIPERBILIRRUBINEMIA
A icterícia é um
sintoma de grande interesse para o médico e o paciente, pois é a manifestação
visível de uma doença, seja ela do fígado ou não, quando os níveis de
bilirrubina no sangue ultrapassam 2 mg/dL. Ocorre amarelamento da pele e olhos,
podendo ser acompanhada por colúria (urina escurecida).
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Icterícia
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Colúria
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A bilirrubina,
principal componente dos pigmentos biliares, é o produto final da destruição
da porção "heme" da hemoglobina e outras hemoproteínas. Como a
icterícia é causada por uma anormalidade no metabolismo da bilirrubina,
compreender os passos da sua formação e excreção é fundamental na compreensão
da icterícia.

Metabolismo da bilirrubina: (1) destruição do heme e formação
da bilirrubina; (2) transporte da bilirrubina pelo plasma, ligada à albumina;
(3) captação da bilirrubina do plasma pelo hepatócito; (4) conversão no hepatócito
da bilirrubina não conjugada em conjugada; (5) transporte da bilirrubina conjugada
pela membrana biliar.
O metabolismo do
pigmento biliar pode ser alterado em vários passos e as combinações das
alterações freqüentemente se sobrepõe. O nível plasmático de bilirrubina
desconjugada ( ou bilirrubina indireta - BI )
depende diretamente da taxa de produção de bilirrubina e inversamente pela
captação e conjugação pelo fígado, que a transforma em bilirrubina
conjugada ( ou direta - BD )
Podemos, portanto, diferenciar as
causas de hiperbilirrubinemia de acordo com o tipo de bilirrubina aumentada
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Bilirrubina
não-conjugada
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Bilirrubina conjugada
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Aumento da produção de bilirrubina
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Hemólise
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Eritropatias
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Doença do fígado
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Doença hepatocelular (ex: hepatites)
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Hiperesplenismo, autoimune
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Doença colestática (ex: CBP)
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Eritropoese ineficaz (ex: talassemias)
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Distúrbio do metabolismo
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S. de Dubin-Johnson
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Destruição de hematomas
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Síndrome de Rotor
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Redução da conjugação
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Hiperbilirrubinemia neonatal
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Colestase benigna
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Jejum
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Colestase da gravidez
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Síndrome de Gilbert
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Doenças extra-hepáticas
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Doença do trato biliar (ex: tumor)
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Síndrome de Crigler-Najjar
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Doença pancreática (ex: carcinoma)
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O aumento da bilirrubina indireta,
sem doença do sangue, provavelmente ocorre quando a transformação da BI em BD
está prejudicada
SÍNDROME
DE CRIGLER-NAJJAR
Algumas pessoas
nascem com deficiência genética da enzima que faz esta transformação. Quando
há a deficiência completa, chamamamos de Síndrome de Crigler Najjar tipo 1,
uma rara doença em que o acúmulo da bilirrubina indireta é tanto que esta
penetra no cérebro causando uma patologia cerebral chamada kernicterus, que
costuma ser fatal. Após a infância, a bilirrubina indireta não consegue mais
entrar no cérebro e o kernicterus não acontece mesmo que a BI suba muito.
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Gilbert
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Crigler Najjar I
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Crigler-Najjar
II
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Bilirrubina total
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1,0-5,0
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>20
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10-20
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UDP-glucuronil-transferase
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50%
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0%
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10%
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Conjugado
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Monoglucuronide
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40%
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0
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95%
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Diglucuronide
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60%
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0
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5%
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Kernicterus
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Não
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Sim
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Raro
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Herança
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Variável
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Autossômica recessiva
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Autossômica recessiva
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Mutação do gene da UDP-GT
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Região promotora
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Região de codificação
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Região de codificação
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Resposta ao fenobarbital
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Sim
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Não
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Sim
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Na Síndrome de
Crigler Najjar tipo II, a enzima está muito diminuída, mas o suficiente
para transformar parte da bilirrubina. Graças a isso, o único sintoma é a
icterícia, a não ser quando ocorre infecções, quando a enzima "pára"
e há risco de kernicterus. Com a ajuda de alguns medicamentos e tratando as
infecções, conseguimos estimular estas enzimas até o final da idade em que é
possível o desenvolvimento de kernicterus.
SÍNDROME
DE GILBERT
A Síndrome de
Gilbert é muito freqüente e ocorre em 5 a 7% da população. É causada
por uma mutação no gene UGT-1A1, localizado no locus 2q37 (sendo a mutação
mais freqüente a (TA)7TAA, que está presente em até 36% dos africanos e 7%
dos asiáticos). Como resultado da mutação (que tem mecanismos variados de
herança), a atividade da enzima UDP-glucuronil-transferase está reduzida em
graus variados (o que faz com que a síndrome se manifeste diferentemente de
pessoa para pessoa), mas geralmente em torno de 25% do normal, reduzindo a
transformação da bilirrubina indireta (não conjugada) em bilirrubina direta
(conjugada).
Em situações onde
há redução mais acentuada da atividade da enzima, como na adolescência em
meninos (fatores hormonais), após exercícios físicos, durante a menstruação
e episódios de infecções e no jejum prolongado, a bilirrubina indireta no
sangue pode aumentar o suficiente para deixar pele e olhos amarelados (icterícia).

Icterícia
Na Síndrome de
Gilbert não há qualquer alteração na estrutura do fígado (avaliado pela biópsia)
ou nos exames de função
hepática ou de lesão hepatobiliar além da elevação de bilirrubina. É uma
condição benigna, que não está relacionada a sintomas além da icterícia
ocasional e prolongamento da icterícia neonatal (em recém nascidos).
Sintomas como
fadiga, sonolência, náusea e desconforto abdominais não são causados pela
Síndrome de Gilbert. O que acontece é que nas infecções, mesmo leves,
pelo vírus da gripe, onde ocorrem estes sintomas, a enzima reduz sua função e
provoca icterícia. Além disso, a síndrome pode ser descoberta em portadores
de outras doenças, incluindo depressão e ansiedade (que também pode
desencadear episódios de icterícia nos portadores da síndrome), que fazem
exames e descobrem a elevação da bilirrubina indireta e erroneamente atribuem
a isso a causa dos seus sintomas.
O único
inconveniente mais sério da síndrome é que algumas drogas que necessitam da
UDP-glucuronil-transferase para a sua metabolização podem ter o seu efeito
prolongado, mas isso não significa lesão ao fígado. Isso é mais importante
em relação a alguns quimioterápicos (medicações para câncer). O uso de álcool
ou do roacutan (isotretinoína) não está contra-indicado em portadores.
Como a realização
de pesquisa genética para o diagnóstico da Síndrome de Gilbert é um método
muito caro e pouco eficaz (a mutação estudada pode não ser a que o portador
tenha), o diagnóstico é primariamente de exclusão, ou seja, são
realizados exames
para descartar a possibilidade de doença do fígado e de hemólise, que serão
todos normais com exceção da bilirrubina indireta, que estará aumentada (até
5,0 mg/dL).
Após a exclusão
de outras doenças que elvam ao aumento da bilirrubina indireta, pode ser
realizada dosagem de bilirrubinas em condições normais e após
uma dieta hipocalórica de 24 horas, causando um aumento na bilirrubina indireta
de 2 a 3 vezes. O mesmo aumento pode ser desencadeado pela administração
endovenosa de ácido nicotínico. O fenobarbital, um medicamento utilizado para
o tratamento de convulsões, estimula a atividade da enzima UDP-glucuronil-transferase
e leva a redução na bilirrubina indireta, servindo como método diagnóstico.
A Síndrome de
Gilbert não é contagiosa, não leva a doença do fígado nem a complicações
a longo prazo. O único inconveniente é a icterícia em uma minoria dos
portadores, que pode ser manuseada evitando-se os fatores desencadeantes
(descritos acima), ou pelo uso de fenobarbital sob acompanhamento médico
se a icterícia for freqüente ou intensa o suficiente para causar desconforto
estético. Não impede o uso do álcool, que terá o mesmo efeito em portadores
e não portadores (e deve ser utilizado com moderação por todos), nem a doação
de sangue.

Essa pergunta enviada por e-mail
reflete bem a maioria das dúvidas sobre a Síndrome de Gilbert:
Tenho uma filha
de 14 anos e ela se sentiu mau após ficar um longo período sem alimentar ( uma
tarde inteira ) em meados de junho. Por ela estar com uma cor amarela inclusive
os olhos, resolvemos então levá-la ao pediatra. Chegando lá a principio
a médica achou ser Hepatite o que foi descartado após análise dos exames de
sangue. Fomos encaminhados a um Gastroenterologista e foram feitos outros vários
exames de sangue e ficou comprovado que se tratava da Síndrome de Gilbert. Sua
Bilirrubina se estabilizou em: BT - 3,4 BI - 2,8 BD - 0,6. Os médicos
nos aconselharam diminuir o intervalo entre as refeições dela e faremos novos
exames em agosto para verificar os níveis da Bilirrubina. Saliento que ela
nasceu com icterícia e ficou internada por aproximadamente 05 dias (...) no sumário
de alta consta o seguinte diagnostico - icterícia por incompatibilidade ABO.
Diante destas
informações faço as seguintes perguntas:
Antes de mais nada, gostaria que
entendesse que a Sd. de Gilbert não é uma doença, mas uma alteração do
normal. Por uma atividade reduzida de uma enzima, o único sintoma é essa cor
amarelada em situações de estresse, tanto emocional quanto física. Costuma
haver melhora após a adolescência, portanto sua filha pode chegar a nem ter
esse sintoma no futuro. A Sd. de Gilbert não causa lesões no fígado e em
nenhum outro órgão, mas é uma condição hereditária e pode ser passada aos
seus netos, mas isso não é motivo para preocupação.
1 - Se tivermos outro filho,
corremos o risco desta criança ter este mesmo problema de incompatibilidade ?
Sim, desde que ele tenha sangue tipo B.
2 - Minha filha gerará
filhos com esta mesma doença ?
Possivelmente sim, mas, como eu disse acima, não
é uma doença.
3 - A diminuição entre
refeições é a única maneira de controlar esta doença ?
A diminuição do intervalo entre as refeições é
uma das melhores maneiras de evitar o amarelamento. Além disso, deve-se evitar
exercícios intensos, medicamentos que sejam tóxicos ao fígado e infecções.
4 - Ela terá de conviver com
isto para sempre ou tem cura ?
Após a adolescência os sintomas dificilmente
aparecerão, mas não há cura, pois é uma condição genética.
5 - Ela pode praticar
esportes com elevado esforço físico ( natação, academia, etc ...) ?
Pode, isso não fará mal algum, mas é possível
que a icterícia ( amarelamento de pele e olhos ) apareça após exercícios físicos
intensos.
6 - Ela possui um sopro
inocente no coração, isto agrava a situação ou é indiferente ?
É completamente indiferente.
7 - Ela tem alergia a
medicamento da família do Biofenac, isto prejudica em algo ?
Essa classe de anti-inflamatórios é hepatotóxica
e deveria ser evitado pois poderia desencadear icterícia, mas já que ela é alérgica,
isso seria apenas mais um motivo para não tomar diclofenaco.
8 - Existe algum alimento que
contribui com a não transformação da BI em BD ?
Não há necessidade de qualquer tipo de dieta.
9 - Uma pessoa que nasce saudável
( níveis de BI < 1 ) corre o risco de adquirir esta doença ?
Não há relação entre a Síndrome de Gilbert e a
icterícia neonatal que sua filha teve por incompatibilidade ABO.
BIBLIOGRAFIA
-
Burchell B; Hume R Molecular genetic
basis of Gilbert's syndrome. J Gastroenterol Hepatol. 1999; 14(10):960-6
-
Black, M.; Billing, B. H. Hepatic bilirubin
UDP-glucuronyl transferase activity in liver disease and Gilbert's syndrome.
New Eng. J. Med. 280: 1266-1271, 1969.
-
Schmid, R. Gilbert's syndrome: a legitimate genetic anomaly? (Editorial) New
Eng. J. Med. 333: 1217-1218, 1995.
-
Gilbert Syndrome Online Mendelian Inheritance in Man. Atualizado
em 2004 (link)
-
Fevery, J e Blanckaert, N em Bircher, J, Benhamou, JP et al.
Oxford Textbook of Clinical Hepatology, Oxford Medical Publications,1999

Artigo criado em 2002
Última revisão: 08/01/07
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