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Doença
Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA)
ESTEATOSE
HEPÁTICA E ESTEATO-HEPATITE NÃO ALCOÓLICA (EHNA)
Dr. Stéfano Gonçalves Jorge

texto em reestruturação
Introdução
Em 1980, Ludwig e colaboradores
descreveram com o nome esteato-hepatite não-alcoólica
(NASH) uma síndrome caracterizada por
mulheres obesas e diabéticas que negavam o uso de álcool mas apresentavam
alterações no fígado muito semelhantes a da hepatite
alcoólica, com aumento
do volume do fígado, alterações em exames laboratoriais e
biópsias com
macrovesículas de gordura (daí o nome esteatose, que vem de gordura)
nos hepatócitos , necrose (morte celular) focal, inflamação e lesões chamadas de
corpúsculos de Mallory.

O "fígado gorduroso" (F) tem
aspecto mais amarelado e esbranquiçado, geralmente também com um volume um
pouco maior do que o fígado normal (N).
Nas últimas 3 décadas, o
"fígado gorduroso" tem sido alvo de grande interesse e investigação
científica. Coincidindo com a epidemia de obesidade nos países desenvolvidos e
o hábito crescente de dosar transaminases antes de iniciar tratamento para
elevação do colesterol, observou-se um aumento semelhante na incidência de esteatose e que grande parte
(atualmente, a maioria) dos exames laboratoriais que mostravam destruição de
células do fígado eram causados por uma hepatite associada a essa esteatose.
Estudos populacionais demonstraram ainda que provavelmente grande parte das cirroses
previamente sem causa definida pode ser atribuida a esse tipo de hepatite.
Definições
Chamamos de doença
hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA,
ou NAFLD,
do inglês "nonalcoholic fatty liver disease") o acúmulo de gordura
no fígado (esteatose) não relacionada ao uso de álcool. A esteato-hepatite
não-alcoólica (EHNA, ou NASH, do
inglês "nonalcoholic steatohepatitis") é uma DHGNA onde a presença da esteatose
está relacionada a uma inflamação no fígado (hepatite).
Assim, a esteatose hepática ("fígado gorduroso") e a
EHNA
são apresentações diferentes da NAFLD, sendo que a primeira pode evoluir para
a segunda. A cirrose de causa indefinida (criptogênica) onde observa-se
esteatose, mas não há sinais de EHNA ativa, também está classificada como
DHGNA.

A DHGNA
é o conjunto de doenças gordurosas do fígado não relacionadas ao uso de
álcool. A esteatose hepática, ou "fígado gorduroso", é o simples
acúmulo de gorduras nas células do fígoda, enquanto que a esteato-hepatite é
o acúmulo de gorduras com inflamação do fígado.
Não há nenhum exame que
distingüa a esteatose decorrente do uso de álcool da DHGNA, portanto só
podemos considerar como DHGNA se não houver histórico de uso de álcool ou se
a quantidade ingerida for insuficiente para causar a esteatose. Geralmente considera-se que um consumo inferior a
20 gramas de alcool por semana seria seguro, mas pessoalmente considero
que a variação na sensibilidade individual exige a abstinência completa de
qualquer quantidade de álcool por no mínimo 3 meses para excluir a influência
desse.
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Bebida
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Unidade
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mL
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Etanol (g)
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Cachaça
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dose
|
50
|
17
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garrafa
|
660
|
220
|
|
Destilados (whiskey, vodka)
|
dose
|
50
|
+/- 16
|
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Aperitivos (martini, campari)
|
dose
|
50
|
+/- 8
|
|
Cerveja
|
copo
|
250
|
9
|
|
lata
|
350
|
13
|
|
garrafa
|
660
|
25
|
g/L = °GL x 10 x
0,7893
Fonte: Neves, MM e cols. Concentração de etanol em bebidas alcoólicas mais
consumidas no Brasil. GED 8(1):17-20, 1989
Hoje, o termo
DHGNA já é
insuficiente para descrever essa patologia. Já temos mais informações sobre
diversas situações diferentes que podem levar à inflamação observada na
EHNA, com
prognósticos e tratamentos distintos. Há uma tendência a se considerar como
DHGNA apenas as esteatoses relacionadas a síndrome metabólica (ver abaixo em etiologia),
mas atualmente a definição acima se mantém.

Fígado
normal
Epidemiologia
Avaliar quantas pessoas são
portadoras de DHGNA é difícil. Não há nenhum método próximo do ideal para
realizar essa investigação. O método mais simples é a realização de
ultrassonografia, que demonstra achados sugestivos de esteatose ("fígado
brilhante") em mais de 16% das pessoas saudáveis não obesas e em cerca de
95% dos obesos que fazem uso de álcool.
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Incidência na população |
Esteatose |
16-24% |
|
Esteato-hepatite |
2-3% |
|
Incidência de doentes |
Diabetes tipo 2 |
28-55% |
|
Obesidade |
60-95% |
|
Dislipidêmicos |
20-92% |
|
Mortes relacionadas ao fígado |
Em obesos |
20% |
|
Em diabéticos |
8% |
Em relação à
EHNA, estudo
investigando elevações nas transaminases em uma população geral seguida de
exclusão de outras causas demonstrou uma prevalência de 5,5% de suposta
EHNA em adultos norte-americanos. O risco é maior dessa doença principalmente
em obesos, diabéticos e portadores de síndrome metabólica.
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Síndrome Metabólica
(presença de 3 dos 5 abaixo)
|
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Obesidade central (de tronco)
|
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Hiperglicemia
|
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Baixo colesterol HDL
|
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Hipertrigliceridemia
|
|
Hipertensão
|
Um estudo que analisou a histologia
hepática em pacientes não selecionados (vítimas fatais de acidentes
automobilísticos) encontrou esteatose em 24%. Outro que analisou necrópsias de
não alcoólatras encontrou esteatose em 35% dos magros e 70% dos obesos, além
de esteato-hepatite em 2,7% dos magros e 18,5% dos obesos.
Outros fatores
estão associados a um aumento no risco de DHGNA, tornando claro que o acúmulo
de gordura no fígado é provavelmente uma manifestação comum de diversas
doenças, com mecanismos diferentes:
-
cirurgias abdominais, como
derivação biliodigestiva, gastroplastia ou bypass jejuno-ileal e
ressecção extensa do intestino delgado;
-
drogas,
entre elas amiodarona, nifedipina, tamofixeno, cloroquina, corticosteróides
e estrógenos;
-
exposição crônica a
produtos químicos;
-
lipodistrofia, doença
de Wilson, abetalipoproteinemia, galactosemia,
tirosinemia, doença de Weber-Christian e
doença celíaca;
-
hemocromatose
(embora a correlação entre ambas seja observada em estudos
contraditórios);
-
hepatite
C, especialmente com o genótipo 3 do VHC.
Esses dados, apesar da
dificuldade em estabelecer uma estatística precisa, sugerem que a
esteato-hepatite não alcoólica seja a principal causa de doença hepática
crônica nos EUA e possivelmente também no Brasil, sendo mais comum do que a hepatite
alcoólica, as hepatites virais B e C
e as demais doenças do fígado que progridem para cirrose.
Assim, como refelxo da epidemia de obesidade e síndrome metabólica nas
últimas décadas, espera-se uma epidemia subsequente de cirrose e hepatocarcinoma
causados pelo NASH nas próximas décadas.
Etiologia
Esteatose
O acúmulo de gordura no interior
dos hepatócitos é um mecanismo natural, utilizado para estocar energia. A
quantidade de energia acumulada na gordura é muito maior que no açúcar ou na
proteína, podendo fornecer ao animal grande quantidade de energia nos momentos
de necessidade. O fígado mantém dois grandes estoques de energia: a
gordura e o glicogênio, que é uma glicose alterada para ser
estocada. Quando permanecemos em jejum e o nível de açúcar no sangue diminui,
hormônios enviam sinal ao fígado para transformar o glicogênio em glicose e
manter o organismo funcionando. Se a falta de comida persistir, a gordura
começa a ser utilizada, mas este processo é mais demorado. Alem disso, estudos
sugerem que as células esteladas do fígado tentam controlar os níveis de colesterol
no sangue transportando o colesterol para dentro do fígado. Os coelhos, por
exemplo, que não tem células esteladas, sofrem muito mais com o excesso de colesterol.
Há vários motivos pelos quais
o metabolismo natural de gordura pode ser alterado e levar à DHGNA:
-
O mais estudado está relacionado a
resistência dos tecidos ao hormônio insulina, que regula e influencia
todos os processos metabólicos que envolvem açúcares e gorduras. Com a resistência
à insulina, há aumento da lipólise (transformação dos
lipídeos em ácidos graxos, especialmente na forma de triglicérides),
com o aumento no aporte de ácidos graxos ao fígado.

Triglicérides são moléculas formadas por uma molécula de
glicerol esterificada a três moléculas de ácidos graxos. Na figura, o
glicerol está à esquerda e os três ácidos graxos, de cima para baixo, são
ácido palmítico, ácido oléico e ácido alfa-linoléico. Os triglicérides
são "desmontados" no intestino, absorvidos e depois podem ser
novamente montados no fígado e depositados neste ou nas células de gordura,
aonde normalmente tem a função primária de servir como reserva de energia.
-
A dieta rica em
carboidratos, por oferecer
grande quantidade de energia, permite ao organismo estocar a energia
excedente, principalmente na forma de triglicérides (a presença de
triglicérides em grande quantidade no organismo não significa
necessariamente a ingesta de grande quantidade de gordura, pois mesmo dietas
com pouca gordura, em pessoas com distúrbios metabólicos que estimulam a
produção de gorduras no organismo, poderão apresentar níveis
assustadoramente altos de lipídeos), que são produzidos e acumulados
no fígado.

Mitocôndria
-
A metabolização de ácidos graxos, realizada
em grande parte no interior das mitocôndrias, pode estar prejudicado. Essa
hipótese é sustentada pela demonstração de redução na atividade de
genes que atuam na função mitocondrial em portadores de NASH.
-
A própria esteatose pode levar a um processo
de retroalimentação positiva ("círculo vicioso") que estimula
os processos anteriores.
Apesar de algumas
raras pessoas apresentarem esteatose sem uso de álcool ou outras medicações
que levem a esteatose ou qualquer evidência de obesidade ou de resistência a
insulina, praticamente todos os que apresentam esteatose tem realmente algum
grau de resistência insulínica. No entanto, nem todas as pessoas que
apresentam resistência insulínica desenvolvem a DHGNA.
Esteato-hepatite
A esteatose
hepática, em si, não é uma doença, mas reflete uma doença
metabólica. Infelizmente, por um motivo ainda desconhecido, o organismo
desencadeia uma inflamação
contra os hepatócitos com acúmulo de gordura, que são gradualmente destruídos. Dependendo da
intensidade desta destruição, isso pode levar à formação de fibrose
(cicatrizes) que vão se acumulando e progredindo até a formação de nódulos,
o que caracteriza a cirrose.
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Um
dos modelos fisiopatológicos para explicar a EHNA (fonte):
Eixo central: a resistência
periférica a insulina resultaria em aumento na entrada de ácidos
graxos livres (AGLs) no fígado, o que causaria um desequilíbrio entre
a oxidação e exportação dos AGLs e sua captação e síntese,
resultando em acúmulo hepático de gordura. Isto resultaria em
produção de espécies reativas de oxigênio (ERO) pela metabolização
pelas vias do citocromo microssomal P450, lipo-oxigenases, peroxisomais
e de beta-oxidação mitocondrial. Estas EROs causam apoptose e necrose
dos hepatócitos, desencadeiam lesão inflamatória e imunomediada e
ativam as células esteladas hepáticas, levando a fibrose hepática.
Stress do retículo
endoplasmático: a presença do aumento da entrada de AGLs no
fígadotambém resulta em stress do retículo endoplasmático dos
hepatócitos e a apoptose dos mesmos, através da ativação da c-Jun
N-terminal Kinase (JNK).
Tecido adiposo: o tecido adiposo secreta adipocitocinas
(incluindo leptina e angiotensinogênio II), que têm participação
direta na regulação do metabolismo dos adipócitos e em vários processos
mediados pela insulina. A adiponectina, outro hormônio produzido pelos
adipócitos), tem propriedades anti-inflamatórias e anti-esteatóticas,
aparentemente protegendo contra a DHGNA. Sua secreção é regulada parcialmente
pelo fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), cuja síntese é promovida pelo
fator de transcripção nuclear NFκβ. A ativação direta
das células esteladas hepáticas também pode ocorrer pela hiperglicemia e
hiperinsulinemia causada por regulação para cima dos fatores de crescimento do
tecido conjuntivo.
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Os
mecanismos que desencadeiam a hepatite em um paciente com esteatose simples não
são conhecidos, mas estudos recentes já tem mostrado
os mecanismos da inflamação e formação de fibrose. Sabemos que nestes casos
a esteatose é tanto causa quanto resultado da formação de espécies reativas
de oxigênio, peroxidação lipídica e stress oxidativo, redução na função
da cadeia respiratória mitocondrial, depleção de ATPs e produção de
citocinas pró-inflamatórias, incluindo fator de necrose tumoral alfa (TNF-α).
Em modelos animais, observou-se ciclo auto-perpetuado de resistência
insulínica e inflamação pela ativação crônica da quinase inibitória kappa
beta (IKKβ) e interações com o fator de transcripção nuclear NFκβ.
Estudos também demonstraram a natureza pró-fibrogênica (estímulo à fibrose
hepática) pela hiperinsulinemia, hiperglicemia e pela leptina (um hormônio
relacionado à obesidade que está sendo muito estudado no momento).

Fígado com
esteatose. As bolas brancas correspondem as gotículas de gordura, que
desaparecem no preparo da lâmina.
DIAGNÓSTICO
O
diagnóstico da doença hepática gordurosa não alcoólica é feito pela
demonstração de acúmulo de gordura no fígado em pacientes com consumo de
álcool insuficiente para levar a esse tipo de alteração. Esse nível é
considerado na maioria dos estudos como inferior a
20 gramas de alcool por semana, embora eu pessoalmente considere que é
necessário, pela falta de um método que diferencie a esteatose alcoólica da
não-alcoólica, um período de abstinência completa superior a 3 meses.

Ecografia (ultrassonografia) mostrando
fígado normal (à esquerda) e com esteatose (à direita). Os feixes sonoros
são refletidos pelo excesso de gordura acumulada no fígado (seta amarela),
impedindo a avaliação de estruturas mais profundas (seta vermelha). A maioria
dos ultrassonografistas classifica este grau de esteatose como "grau
III".
A
demonstração do acúmulo de gordura geralmente é realizada através de exames
complementares de imagem (ecografia, tomografia computadorizada ou
ressonância nuclear magnética). Estes exames são considerados suficientes
para o diagnóstico da esteatose, podendo também informar se há sinais de
desenvolvimento de cirrose ou de hipertensão
portal. Mas não permitem a diferenciação entre a esteatose e a
esteato-hepatite nem diferenciar graus intermediários de fibrose ou de
atividade da inflamação. É possível diferenciar grosseiramente o acúmulo de
gordura entre leve (grau I), moderada (grau II) e severa (grau III), embora isso
tenha pouca utilidade clínica.
Resistência
à insulina
O
diagnóstico de resistência à insulina geralmente é inicialmente clínico,
observando-se sinais de síndrome metabólica (obesidade e hipertensão
arterial) e complementado com a dosagem no sangue das frações de colesterol,
triglicérides e glicose. Recentemente, desenvolveu-se o índice
HOMA-IR, um método simples de cálculo da resistência à insulina
através da dosagem conjunta de glicose e insulina.

Software gratuito para o cálculo do HOMA2,
oferecido pela Universidade de Oxford (link)
Esteatose
versus esteato-hepatite
A diferenciação
entre a esteatose "simples" e a esteatose com inflamação associada
nem sempre é fácil e só pode ser confirmada pela biópsia hepática. A
elevação das aminotransferases (AST e ALT), na ausência de outras causas
(como a hepatite C, que tende a cursar com o
aparecimento de uma esteatose), geralmente indica a presença de inflamação.
Um dos sinais laboratoriais mais precoces, apesar de pouco específico, é o
aumento da gama-glutamil transferase (GGT).
História
Natural
A informação mais importante
seria qual a importância prática desta doença. Aparentemente, a esteatose não
causa lesão hepática mesmo com 20 anos de acompanhamento. No entanto, nos
pacientes com esteato-hepatite acompanhados por ate 9 anos, 27% evoluíram para
fibrose e 19% para cirrose. Acredita-se que
grande parte das cirrose criptogênicas, de causa desconhecida, esteja
relacionada a NASH.

História
natural da DHGNA (fonte)
Achados clínicos e laboratoriais
Uma vez que foi demonstrada a importância
em se impedir índices tão altos de mortalidade, devemos definir melhor quais são
os sintomas, os tipos de esteatose e suas causas. Cerca de 45-100% dos pacientes
não apresentam sintomas. Quando apresentam,
especialmente crianças, os sintomas mais comuns são dor em hipocôndrio
direito, desconforto abdominal, fadiga e indisposição. O aumento do fígado ( hepatomegalia
) pode ser observado em ate 12-95%. As alterações
laboratoriais mais comuns são elevações de 5 vezes em AST e
ALT, chegando ate a 10-15 vezes. Outra característica interessante dos
exames laboratoriais é que a relação AST/ALT é menor que 1 em 65-90%.
Quando se torna maior que 1, esta ocorrendo progressão da doença. Os níveis
de fosfatase alcalina e gamaglutamiltransferase estão aumentados
em 2 a 3 vezes em menos que 50% dos casos.
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Mecanismo de ação
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Causa
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Primária
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Resistência a insulina
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Diabetes mellitus tipo 2
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Obesidade
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Hiperlipidemia ( colesterol )
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Drogas
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Corticosteróide ( reumatismos, asma )
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Estrogênios ( anticoncepcionais )
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Amiodarona ( arritimias )
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Perhexilina
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Nifedipina ( hipertensão )
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Salicilatos ( AAS )
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Tamoxifem
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Tetraciclina
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Cloroquina
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Secundária
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Cirurgias
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Gastroplexia ( obesidade )
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Bypass jejunoileal ( obesidade )
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Ressecções extensas do intestino delgado
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Derivação biliopancreática
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Outros
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Abeta/hipobetalipoproteinemia
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Doença de Weber-Christian
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Toxinas
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Diverticulose
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Desnutrição proteico-calórica
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Nutrição parenteral total
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Perda rápida de peso
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Lipodistrofia
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Doença inflamatória intestinal
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Infecção por HIV
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Estudos epidemiológicos
definiram que os pacientes com maior risco
para progressão da doença são: maiores que 45 anos, relação
AST/ALT > 1, obesidade e diabetes. Deve ser dada grande atenção
em relação a historia de ingestão alcoólica. Primeiro, porque a esteatose e
esteato-hepatite causadas pelo álcool são muito semelhantes a NASH. Segundo,
porque não se sabe qual a dose tóxica de álcool em uma pessoa com esteatose.
Terceiro, porque a presença de mais de uma causa para hepatite acelera e
intensifica a doença de modo exponencial.
Tratamento
Com o aumento dos estudos sobre
o assunto, poderemos predizer quais são os pacientes com esteatose cuja doença
nunca ira progredir daqueles com risco para o desenvolvimento de fibrose e
cirrose. O tratamento seria reservado apenas para estes.
Atualmente, o único tratamento
utilizado de rotina para a NASH é o controle dos fatores que levaram ao seu
aparecimento. Os resultados do tratamento da obesidade, no entanto, são
conflitantes. Nos estudos realizados, houve melhora histológica com a redução
do peso, mas apenas quando o emagrecimento foi moderado. Um estudo mostrou
franca piora relacionada a perda de peso rápida e intensa. Estudo com ratos
demonstrou melhora da NASH com o uso de metformina, que é utilizada no
tratamento de diabéticos obesos ( estudos em humanos estão sendo realizados ).

Fígado com esteatose
Diversos tratamentos farmacológicos
para NASH estão sendo propostos, mas nenhum tem estudo comprobatório da sua eficácia.
Os mais promissores são: genfibrozil ( hipolipemiante ), acido
ursodeoxicólico ( reduz ácidos biliares, imunoprotetor e estabilizador de
membrana ), betaine ( induz aumento da S-adenosilmetionina, que é
hepatoprotetora ), n-acetilcisteína ( aumenta glutationa,
que protege contra stress oxidativo ) e vitamina E ( antioxidante e
imunomodulador ). Aguardamos futuras pesquisas onde estes agentes serão
utilizados em estudos duplo-cego, placebo controlados.
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Artigo criado em: 2003
Última revisão: 05/07/07
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