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Definição
A alfa-1-antitripsina (A1AT) é uma glicoproteína
de 52 kDa produzida principalmente pelos hepatócitos que liberam diariamente
cerca de 2g da proteína na circulação. A principal função da A1AT é inibir a
elastase neutrofílica, uma protease de serina que tem a capacidade de hidrolisar
as fibras de elastina no pulmão. Entretanto, devido a alterações da estrutura
proteica causadas por mutações em seu gene, algumas vezes a proteína perde sua
capacidade inibitória ou se agrega em forma de corpúsculo de inclusão nos
hepatócitos, ocasionando a diminuição dos seus níveis séricos normais.
Essa deficiência é refletida no pulmão sob a
forma de enfisema, bronquite crônica ou bronquectasia. No fígado, o acúmulo da
proteína mutante nos hepatócitos pode levar à colestase neonatal, hepatopatia
crônica ou cirrose.
Genética
O gene da A1AT é altamente polimórfico, tem
expressão co-dominante e localiza-se no braço longo do cromossomo 14 (14q
31-32.3). Atualmente, já foram descritas mais de 75 variantes alélicas. Elas são
identificadas pelo método da fenotipagem, feito através de focalização
isoelétrica do soro entre o pH 4 (ânodo) e o pH 5 (cátodo) em gel de
poliacrilamida. Dessa maneira, os alelos são separados de acordo com suas
diferentes cargas elétricas e designados com letras do alfabeto (A-Z) de acordo
com seu ponto isoelétrico. As variantes comuns migram no meio do gel e, por
isso, são chamadas de pertencentes à família M (“middle”). Por outro lado, a
variante deficiente, originalmente descrita em 1963 por Laurell e Eriksson,
migra em direção ao cátodo e recebe a denominação Z. A variante S recebe esse
nome devido apresentar mobilidade lenta (“slow”) no gel. Esse “locus”
polimórfico recebe o nome de sistema Pi (inibidor de proteases).
A maioria das variantes determina quantidade e
qualidade normal da proteína. Por outro lado, existem os alelos associados com o
estado deficiente tais como as variantes S e Z que atingem freqüências
polimórficas em populações caucasóides e o alelo nulo onde se observa falta
total de produção da proteína.
O alelo S resultou de uma substituição
(adenina por timina) no éxon III do gene, o que levou a uma troca do ácido
glutâmico na posição 264 por uma valina e a conseqüente formação de uma proteína
de estrutura instável. As moléculas liberadas para corrente sangüínea inibem a
elastase dentro de um limite que, embora próximo, é inferior à normalidade (
leva 5 vezes mais tempo que a variante normal ). É associada a níveis séricos de
100-200 mg/dl, os quais podem ser suficientes para proteger o pulmão. Se
associado a variante Z ou nula Þ produção insuficiente Þ sujeito a doença
pulmonar.
O alelo Z surgiu da troca de uma
guanina na posição 342 por adenina no éxon V do gene, o que levou à formação de
uma proteína que se agrega no interior do retículo endoplasmático rugoso dos
hepatócitos. A quantidade de proteína produzida é funcionante porém, menos
eficiente em inibir a elastase (leva 12 vezes mais tempo que a variante normal
para inibir a mesma quantidade de elastase). Associa-se a: níveis séricos ¯
(15-50 mg/dl ), lesão pulmonar, hepática e cutânea.
Diagnóstico
O diagnóstico dos estados deficientes é
geralmente realizado através da dosagem sérica da proteína associada à
eletroforese da mesma em gel de focalização isoelétrica. A eletrofeorese de
proteínas séricas tem sido usada como exame de triagem porém, pode apresentar
resultado normal mesmo nos estados de deficiência pois, a A1AT é uma proteína de
fase ativa e pode aumentar na vigência de processos inflamatórios ou infecciosos
bem como, uso de corticosteróides e estrógenos. Para um diagnóstico de maior
precisão pode ser realizada a investigação do gene utilizando-se técnicas de
análise de DNA (fenotipagem- eletroforese em pH ácido ou foco isoelétrico ou
genotipagem- análise do DNA pelo método de PCR (reação em cadeia da polimerase).
Histologia
Glóbulos eosinofílicos no fígado de 1 -
40m, PAS+ após digestão pela diástase (geralmente detectáveis após 12 semanas de
vida). Achados mais comuns: lesão hepatocelular com ou sem transformação
gigantocelular, ductos biliares normais com leve inflamação, vários graus de
fibrose e proliferação ductular e hipoplasia de ductos intra-hepáticos.
Patogênese
Lesão
pulmonar:
Lesão
hepática:
Doença hepática na infância
(PiZZ)
Prognóstico
e Evolução:
-
Apenas
10% PiZZ evoluem para doença hepática (cirrose em 10-50% casos)
-
Pi
ZZ =>
associado à gravidade e duração da disfunção hepática aguda
-
Melhor
parâmetro individual: histologia
-
Histologia
inicial com fibrose leve =>
melhora
-
Histologia
inicial com fibrose grave e proliferação ductal => cirrose com hipertensão
portal nos 3 primeiros anos de vida
-
Histologia inicial com hipoplasia ductal
=>
persistência da colestase =>
fibrose portal
Tratamento:
-
Difere de acordo com as manifestações clínicas
-
Doença
pulmonar:
-
medidas diretas e preventivas para
reduzir
elastase neutrofílica
-
evitar
fumo
-
tratamento
precoce da infecção pulmonar
-
vacinação
-
terapia
de reposição (ProlastinR) >
60 mg/kg, 1 vez por semana
-
Doença hepática:
-
ácido
ursodeoxicólico
-
suporte
nutricional : 100-150 cal/kg/d; 3 g proteína/kg/d; triglicérides de cadeia média
ou gordura de côco
-
vitaminas:
A, D, E e K
-
controle
das manifestações de hipertensão portal
-
transplante
hepático

Artigo
criado em: 2003
Última atualização: 2003
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