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Crioglobulinemia e
Hepatite C
Dr.
Stéfano Gonçalves Jorge
Crioglobulinas
são proteínas que se precipitam quando resfriadas (abaixo de 370C), e
dissolvem-se quando são aquecidas. São denominadas idiopáticas ou essenciais
quando não estão associadas a qualquer doença reconhecível. As
crioglobulinas são classificadas em 3 tipos: tipo I (monoclonal), tipo
II (mista) e tipo III (policlonal).
A
crioglobulinemia do tipo I (monoclonal) é, mais amiúde, da classe IgG ou
IgM, mas já foram descritas crioglobulinas IgA e de Bence Jones. A maioria dos
pacientes, mesmo com concentrações elevadas de crioglobulina do tipo I, não
apresenta quaisquer sintomas que possam ser atribuídos a esse achado. Outros
com crioglobulinas monoclonais na faixa de 1 a 2 g/dL podem apresentar dor,
púrpura, fenômeno de Raynaud, cianose e mesmo ulcerações e necrose da pele e
do tecido subcutâneo, quando expostos ao frio, porque suas crioglobulinas
precipitam-se a temperaturas relativamente altas. As crioglobulinas do tipo I
estão associadas a macroglobulinemia, mieloma múltiplo ou GMII.
A
crioglobulinemia do tipo III (policlonal) não está associada a um componente
monoclonal. As crioglobulinas do tipo III são encontradas em muitos pacientes
com infecções ou doenças inflamatórias e não têm qualquer importância
clínica.
A
crioglobulinemia do tipo II (mista) consiste, de maneira típica, em uma
proteína IgM monoclonal e em IgG policlonal, embora IgG monoclonal ou IgA
monoclonal também possam ser observadas em associação com a IgM policlonal. a
eletroforese das proteínas séricas geralmente mostra um padrão normal ou de
hipergamaglobulinemia policlonal difusa. Usualmente, a concentração de
crioglobulina mista é inferior a 0,2 g/dL.
Sintomas
clínicos:
-
Pele:
púrpura, úlceras, urticária, livedo reticular, nódulos, bolhas e
pústulas;
-
Sistema
nervoso: parestesias, paresias, vertigens;
-
Rins:
hipertensão, glomerulonefrite ou sd. nefrótica;
-
Fígado:
hepatomegalia, aumento de transaminases, hepatite crônica e cirrose.
A variante mais freqüentemente diagnosticada é a crioglobulinemia essencial
mista, geralmente caracterizada por imunocomplexos compostos de IgM
monoclonais específicos para IgG policlonais. Esses imunocomplexos circulantes
podem promover processo de vasculite que envolve o intestino em 20% dos
pacientes. Clinicamente apresenta-se como uma tríade: púrpura, fraqueza e
artralgias. Outros sintomas incluem fenômeno de Raynaud, parestesias e dor
abdominal.
HEPATITE
C
A
infecção por vírus da hepatite C (HCV) tem demonstrado associação com a
crioglobulinemia essencial mista. De 36 a 54% dos pacientes com infecção
crônica pelo HCV têm crioglobulinas detectáveis no soro, mas de 60 a 80% dos
pacientes com CEM são positivos para HCV. HCV RNA e antígenos HCV estão 100 a
1.000 vezes aumentados e a CEM é curada com o tratamento efetivo da infecção
pelo HCV.
O
mecanismo exato pelo qual a infecção crônica pelo HCV leve a MEC é
desconhecida. As hipóteses incluem:
-
O
HCV leva a estimulação imunológica e, ocasionalmente, do fator reumatóide
policlonal e monoclonal;
-
Há
uma reação cruzada entre algum antígeno do HCV e o FR.
O
segundo é mais provável uma vez que o FR é freqüentemente monoclonal e
idêntico na maioria dos pacientes.
As
manifestações clínicas do CEM em 257 pacientes com HCV:
|
Manifestação
Clínica |
Incidência |
|
Púrpura |
88
– 100% |
|
Artralgia |
51
– 70% |
|
Fraqueza |
61
– 100% |
|
Neuropatia
periférica |
25
– 69% |
|
Envolvimento
renal |
8
– 54% |
|
Fenômeno
de Raynaud |
10
– 35% |
Achados
laboratoriais:
-
Elevação
mais significativa das crioglobulinas;
-
Hipocomplementemia,
principalmente C1 e C4;
-
Fator
reumatóide positivo, monoclonal tipo II e policlonal tipo III;
-
Não
associado a qualquer subtipo específico do HCV, grau de comprometimento
hepático ou tipo HLA.
MEC,
HCV E LINFOMA NÃO-HODGKIN
Vários
estudos sugerem uma associação entre a infecção pelo HCV e o linfoma
não-Hodgkin, especialmente de baixo grau. A vasta maioria desses pacientes
apresentaram CEM primeiro e a hipótese é a de que com a estimulação crônica
das células B, uma linhagem eventualmente sofre mutação e ativa oncogenes.
TRATAMENTO
A
resposta ao interferon é similar àquela observada em pacientes sem CEM. Algum
cuidado deve ser tomado em relação à possível exacerbação da CEM durante o
tratamento. Alguns estudos descrevem o efeito benéfico da ribavirina.

Artigo criado em:
1999
Última revisão: 1999
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